terça-feira, 4 de novembro de 2008

Faz parte do meu show...

"Há um mundo ao redor que a gente nem percebe."
Não sabemos quem é a pessoa ao lado da gente, sentada no ônibus. Não sabemos o nome, qual a profissão e muito menos se ela é ou não uma assassina. O que nos faz pensar que sabemos muito, se mal conhecemos quem está ao nosso lado? Vivemos e morremos egoístas, pensando e vivendo o nosso mundo, sem pensar o suficiente no próximo, olhando apenas para o nosso mundo e quem está nele, deixando de lado o que está ao redor.
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"Sou muito sincero e às vezes até me arrependo disso. Se estou batendo um papo com um jornalista, eu estou sendo eu o tempo todo. Não tenho uma armadura..."
Há sempre os dois lados da moeda para tudo. Sempre digo que toda qualidade agrega um defeito, e vice-versa. Se temos como qualidade a bondade, temos o defeito de sermos ingênuos demais de tão bons que somos. Sou muito sincero no que digo, penso e faço e sei que nem sempre é o melhor a se fazer. Não uso armaduras, nem máscaras, mas estou aprendendo a deixar algumas coisas omitidas, desfarçando entre uma pincelada e outra da minha história...
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"Eu tenho vários lados. O lado escuro é um lado muito forte, porque sou muito boêmio, vivo muito de noite. Gosto muito da noite, acho que ela é um espaço, um território livre para tudo."
Sou receptivo para vários ambientes, mas o ambiente noturno me facina. Se pudesse trocar a noite pelo dia, faria isso sem pensar. Ando levando uma vida boêmia, não daquelas de beber, mas de sair, desfrutar as ruas mais desertas. A noite é o momento em que as pessoas se libertam, tiram a máscara que usam nos trabalhos e acabam sendo elas mesmas, por inteiro.
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"Sempre tive horror de política, mas tem coisas que você não precisa saber, qualquer burro vê."
Preciso comentar? Quem me conhece sabe que a política para mim é uma página em branco, para sempre. Voto nulo mesmo, pois não acho correto dar voto para um ladrão que no caso é todo político ou pessoa envolvida com esse tipo de quadrilha.
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"Tenho a fantasia de ficar para sempre com uma pessoa só, ter filhos, constituir família."
Tenho o sonho de poder chegar em casa, após um cansativo dia de trabalho e ser recebido por minha filha, que sairá correndo do seu quarto com sua boneca nas mãos, gritando "Papai" ao ouvir a chave girar na fechadura. Entrar na sala e ver que minha esposa está no sofá, descansando depois de um também cansativo dia de trabalho, seja em casa ou no escritório, não tenho a escolha machista de ter uma mulher dona de casa. E construir essa família, dar a base necessária para meus filhos, poder dar diversão e segurança para eles.

"Nunca passou pela minha cabeça ter uma imagem. Nunca procurei isso..."
Não procuro ser alguém para os outros. Eu sou Thiago Klein para Thiago Klein, e não Thiago Klein para a sociedade. O que sou, como sou e como ajo são as maneiras que, penso eu, são as melhores para mim. Julgo-me uma pessoa transparente, mas que não fala muito sobre eu mesma.
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"Ao contrário de todo mundo, que fica se ressentindo 'porque ela me deixou, não sabe o que perdeu', eu não tenho medo de dizer: Eu é que fui covarde e babaca."
Não sinto-me envergonhado de errar. Sou um eterno errôneo na arte de amar, mas a cada romance, um novo aprendizado. Me torno mais maduro e experiente e acabo por pensar que, quando vejo o merecimento, que o amor não deu certo pelos meus erros. Alguns eu até tento o conserto, outros eu deixo onde estão, afinal, eu não posso criar ou ser criado nos moldes alheios. As pessoas têm que gostar de mim pelo que sou.
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"Sinto pouco o desejo de vingança. Sou muito critão nesse aspecto, no sentido da compaixão, da piedade, tenho pena das pessoas. Quando alguém me sacaneia, penso: 'coitada daquela pessoa'. Não estou dando uma de grandioso, mas não sinto vontade de me vingar..."
O desejo pela vingança remete ao ódio e à infantilidade. Existem motivos para as pessoas quererem meu mal, mas eu não uso esses motivos para querer uma vingança. Até quero descobrir os motivos, mas para tentar revertê-los, quando eu achar necessário.
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"Sou muito animado, para sentir tédio!!! Sou animado à beça, qualquer coisa me anima. Se você me convida para ir na Barra da Tijuca, eu te digo logo: 'Vaaaamos!!!'Qualquer besteira me anima."
Se você quer sair em um final de semana e não tem companhia, pode contar comigo! Estou sempre por aí, querendo sair, sociabilizar e conhecer gente nova. Sou tímido, mesmo não parecendo, mas animado demais. Uma simples reunião de três pessoas em algum lugar é o suficiente para eu correr pro chuveiro e me arrumar.
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"Para mim, o amor é o contrário da morte. Por isso não tenho medo de morrer. Eu estou amando."
Estou sempre amando, o que me faz pensar apenas na vida que tenho e que poderei ter ao lado das pessoas que amo. Amo viver, amo amar e amo aqueles que me querem bem. Não penso em morrer e penso que amar é viver. Para mim, o amor é o contrário da morte também.
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"No geral eu gosto de dar entrevistas. Gosto de falar, sou falastrão."
O tamanho do post já diz a semelhança com a frase acima.
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"Eu tenho um lado que leva as coisas muito a sério. Eu pareço ser uma pessoa que não leva nada a sério!"
Sempre levando as melhores (e piores) maneiras com um bom humor, acabo transmitindo a idéia de um moleque, que não leva nada a sério. Diferente do que alguns pensam, eu sou alguém com bom humor e cabeça. Sei o que acontece com o mundo, entendo os problemas dos outros e sei como enfrentar os meus próprios. Talvez seja um escudo protetor, esse meu excesso de bom humor, mas garanto que se você precisar de alguém para conversar, chorar e ouvir conselhos, eu estarei aqui, sem fazer piadinhas e confortar, até onde for plausível e necessário.
*
E viva Agenor de Miranda Araújo Neto, o Cazuza. Um poeta que conseguiu enfrentar, à sua maneira, grandes empecilhos em sua vida, e até hoje encanta os ouvidos e o coração da sua, da nossa e das próximas gerações.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Palavras... palavras

Dê um sentindo pra sua vida, ou então virará escravo dela.
Você pode amar uma ou dez pessoas, desde que ame sempre e mais intensamente o reflexo que vê todo dia no espelho.
Ainda quero conhecer alguém que tenha entendido o ser-humano por completo e vou querer as respostas para todas as minhas perguntas.
O grande erro do homem é ensinar às crianças que o ódio existe.
A mentira bem contada é a verdade mal mentida.
Fingir é a melhor fuga para a realidade.

domingo, 2 de novembro de 2008

De volta à realidade (pelo menos até o fim do post)

Pois é, mais um fim de temporada das grandes peripécias de Marcos, com aquela grande emoção de sempre, quem ainda não leu, leia, começa no post chamado PARTE I e não sei para quem estou dizendo isso, levando-se em conta que só existem talvez de três a quatro pessoas que visitem este humilde diário e lê, frequentemente, as minhas idéias malucas.
Explicarei um pouco sobre o título do post desta belíssima madrugada. Voltando à realidade significa deixar o "seriado" um pouco de lado, voltar a escrever em NÃO-Itálico e falar sobre coisas, diga-se de passagem, reais. Não que a história do Marcos seja algo absurda, pois tento me apegar ao máximo à chamada realidade de razões e emoções.
Enfim, o "pelo menos até o fim do post" entre parentêses entra num âmbito onde eu começarei a falar sobre o assunto que quero hoje, neste, já dito antes, humilde diário e começarei a viajar.

Se existisse algo no mundo inalimentício (acho que acabei de inventar essa palavra) que nos fizesse sobreviver, ou seja, algo que não faz parte das nossas necessidades fisiológicas para sobrevivência, tais como comer, beber, respirar, transar e amar, eu optaria pela opção de poder sonhar.
Sonhar é algo que vai além de meras explicações, pois não existe definição completa e plausível que encaixe nos pensamentos alheios em sua semelhança. Complicou a cabecinha pensar nisso? Eu vou mais longe então.
Sou um típico sonhador por natureza, adoro viver as duas vidas que tenho: a real e a dos sonhos, sempre tentando fazer com que a vida que tenho hoje se assemelhe ao máximo com a vida dos meus sonhos. De uma coisa tenho certeza, todos, sem uma única exceção, sonhamos na busca pela perfeição, mas como disse anteriormente, cada um tem sua própria perspectiva a respeito disso.
Sonhar é algo digno, transpõe a idéia de sentimento e passa longe de ser um simples verbo transitivo indireto (se não me falha a memória das regras gramáticais). Sonhar, para mim, é viver, ainda mais em um mundo como o que vivemos, onde todos sabem o que acontece, onde a fome (assunto já discutido no meu blog), a miséria, a pobreza, a violência e a desigualdade (idem ao último parentêse) andam lado a lado, como uma grande gangue. Ninguém em sua sanidade mental controlada viveria nesse mundo enxergando o mesmo.
Por isso eu prefiro me sentar, seja onde for, acender o meu cigarro (ou não, quem sabe, espero), olhar as estrelas e sonhar... Sonhar em como seria belo se a vida fosse vivida. E não desperdiçada.


Obrigado!

sábado, 1 de novembro de 2008

Season Finale

"Após uma eternidade, sexta-feira estava aí. Marcos planejou passo a passo como faria para tentar falar com Roberta, sem amedrontá-la, sem deixar ela fazê-lo de cachorrinho dela também. Renato acabou desistindo de ir, pois tinha que jantar com pessoas do trabalho, mas deixou Anahí ir, contando com os olhos bem observadores de Marcos nela.
Separou sua roupa, tomou um belo de um banho, se ajeitou e foi para casa de Fabi, onde estariam as duas o esperando para irem para a festa. Marcos estava nervoso, fumava um cigarro atrás do outro para tentar conter os nervos que estavam praticamente pulando pela sua pele.
A festa estava acontecendo na casa de Katarina, uma amiga das meninas, conhecida de Marcos. Uma casa com um salão grande, onde fora instalado equipamentos de luzes, uma mesa de som do DJ e na cozinha estavam baldes e mais baldes de cerveja. O menino passou rapidamente pelo salão e foi pegar uma cerveja para ele e as meninas, e então voltou para o quintal.
A noite estava fria, gélida e obscura, mas tudo parece ter mudado depois que viu sua princesa lá fora. Vestida com uma calça preta e um vestidinho xadrez, com os cabelos loiros soltos, Roberta estava alí conversando com as duas, sorridente, tomando uma cerveja. Seus olhos verdes radiavam o local e era difícil algum homem que passasse por elas e não notasse a beleza rara da menina. Marcos respirou fundo e caminho até elas.
A cena repetiu-se muitos momentos na festa, e Marcos lembrava-se dela como um fanático por futebol relembra os títulos ganhos pelo seu time que foram assistidos. Roberta parou de conversar com as meninas e olhou para Marcos, abriu um sorriso que só ela podia dar, com os dentes bem expostos, numa felicidade sincera e soltou os braços no garoto. Dizia que estava com saudade e que estava feliz por ele estar bem, sem soltá-lo um instante sequer. Marcos tremia por dentro, não sabia como estava a cena por fora, mas em seu interior os órgãos se rebatiam em uma festa tremenda. Ela estava feliz por ele estar alí.
- Preciso falar com você. - disse a menina olhando, com seus olhos verde esmeralda, nos olhos de Marcos. - Você vai se arrepender se não ouvir.
O coração de Marcos parou, e então acelerou rapidamente, como um carro que saí cantando pneu em uma corrida candlestina. Abraçou-a e ela falou no seu ouvido:
- Você é foda, Má! - começou ela sussurrando no ouvido dele. - Você tem sido um cara muito importante para mim, suas mensagens no meu celular, orkut, os depoimentos, tudo me faz chorar sempre que vejo, você é um amigo que...
- Eu não quero ouvir isso, Rô. - interrompeu Marcos. Ele não queria ser amigo dela, não queria que ela o visse como amigo. Ele tentou de diversas maneiras mostrá-la que ele estava alí, para ela, sempre, mas não só como um amigo. - Você sabe que não é só isso, para mim...
Roberta o soltou e o olhou profundamente, como quem gostaria de dizer algo apenas com o olhar:
- Você sabe que você é para casar, Má! Eu sei que você é para casar...
Marcos bombardeou seu coração de alegria e sorriu, depois de muito tempo sem sorrir, numa felicidade extrema:
- Quer saber algo engraçado, mas que é a verdade? - disse ele a abraçando. - Você também é para casar...
Roberta o abraçou bem forte, calorosamente, e então, em uma complicação de ambos, foram se beijar no rosto, mas parte do canto do lábio de Roberta pegou nos lábios de Marcos. O silêncio veio à tona e eles não se olharam mais, cada um foi para seu canto. Mas antes de ir, o menino tentou pegar na mão de Roberta, que apenas disse:
- Não, Má. Você é só daqui dez anos...
*
Após beber muito, Fabi começou a passar mal, impossibilitando Marcos de ir atrás de Roberta, para poder cuidar da amiga, junto de sua cunhada. Ele estava puto da vida, pois Roberta não estava dando muita atenção para amiga e estava falando com um cara que tinha conhecido na festa, o que piorava a raiva de Marcos.
Em um certo momento da noite, Marcos foi buscar água na cozinha para Fabi tomar e não achava um copo limpo. Saiu para a parte de trás da casa, na procura de um copo plástico. Aquela área era simples, com um pequeno tanque onde estavam as cervejas para gelar, engradados de refrigerante e cerveja no chão e, mais para o lado, um pequeno corredor escuro. Marcos cochichou consigo algo sobre não estar achando nenhum copo e ficou em silêncio quando viu o que jamais gostaria de ter visto.
Roberta estava de costas para a parede do corredor escuro, dando uns amassos no garoto que estava conversando com ela, e nem notou a presença de Marcos alí.
O mundo girou ao contrário, a terra desprendeu a gravidade e Marcos flutuava, alí, perante todas as pessoas. Engoliu um seco, fechou os olhos e foi para o quintal da frente. Sua mão tremia enquanto ele pegava um cigarro e tentava acender, seu coração estava dolorido, machucado e estraçalhado. Sentou no chão, longe de todos, e começou a fumar compulsivamente. Era um otário, um babaca e não conseguia pensar em mais nada do que isso. Com tanta experiência nesses casos, não acreditava que caíra mais uma vez. Ninguém é perfeito mesmo, pensava ele.
Apoioi sua cabeça nos joelhos e alí ficou, pasmo com a vida. Ele merecia aquilo, por ter sido um inútil, por ter sofrido um acidente e ter dado brexa para Stela estragar sua vida, mas depois pensou que, talvez, a conversa que Roberta queria ter com ele no dia do acidente era apenas um ombro amigo que ela precisasse, e ela considerava Marcos apenas e somente isso. Uma lágrima escorreu pelos seus olhos.
- Que foi menino? - uma voz saía de trás dele. Era Anahí, sua cunhada, percebendo a tristeza do menino. Marcos olhou para ela com os olhos cheios d'água e então ela tinha percebido o que era. - Não fique assim... Ela é assim, ela quer curtir, te garanto que uma hora ela cansa e vai querer ter alguém assim como você.
Marcos abraçou sua cunhada. Adorava ela, e ela o fez mais feliz durante o resto da noite. Os dois fizeram companhia um ao outro a noite inteira, pois os dois estavam sem seu "par" na festa, o que deixou o menino mais feliz e ele acabou por nem pensar direito na sua princesa.
Na hora de ir embora, Marcos deixou Fabi e Anahí na casa da primeira, pois a cunhada iria dormir lá e deu carona para Roberta até sua casa.
No caminho ficaram conversando sobre outras coisas, sobre ter família, filhos, quantidade de fihos, nome de filhos, entre outras coisas, mas Marcos nem chegou a comentar sobre o fato que ele sabia que tinha acontecido.
Entrou no condomínio de Roberta e estacionou o carro na frente da casa dela.
- Obrigada, Má. - Roberta o agradeceu com um beijo super longo na buchecha e abriu a porta do carro. Ao fechar a porta, o garoto desceu o vidro e falou:
- Durma bem, Rô. A gente se vê daqui dez anos.
Sem fechar o vidro, nem nada, partiu com o carro e foi embora. No carro tocava You and Me do Lifehouse, e Marcos seguiu para sua casa, novamente sozinho. Estava cansado disso, mas ele não deixaria mais uma escapar dele. Ele estava verdadeiramente apaixonado."

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Pausa no seriado para uma simples pergunta...

Somos frutos da mesma árvore, farinha do mesmo saco, seres humanos, com quantidades incontáveis de células pelo corpo, com dois olhos, nariz e boca. Sobrevivemos com a luz do sol, com a água e os alimentos, mas o que nos faz ser tão diferente um do outro?
Respondemos nossas ações por instintos, emoções ou razões? Qual a maneira de você tomar a decisão certa? Seguindo quais dessas premissas citadas? De que jeito é o certo? Existe um errado?
Alguns pensamentos me rodeiam, ao perceber que somos tão semelhantes, porém tão diferentes. Diferenças físicas podem ser explicadas pela genética, mas e as diferenças psicológicas? Por que seguimos diferentes religiões? Por que gostamos de certos estilos musicais? O que nos faz crer que tal time de futebol é melhor que o outro, ou ainda, o que nos leva a pensar que somos obrigados a gostar de pessoas do sexo oposto? Por que nos apaixonamos por algumas pessoas em tão pouco tempo e deixamos de gostar num espaço menor ainda?
Por que existem seres humanos que não ligam para nada? Por que existem os que ligam para tudo? O que faz uma pessoa ser má? E o que faz outra ser boa? Quando o mundo começou a ficar de ponta cabeça, todo mundo sabe que ele está assim e ninguém faz nada para colocá-lo de volta no eixo?
Por que certas coisas nos interessam e outras simplesmente passam batido? O que te faz pensar que quando você morrer você irá pro céu, ou pior, quando você morrer, acabou? Ou existe um paraíso?
Deus criou o homem à sua semelhança. Qual semelhança? A física? Então Deus é um homem? Não dizem que ele não tem fisionomia alguma?
Lhes pergunto, bem humildimente, qual a semelhança que temos, além da física, para podermos nos considerar seres soberbos? Será que somos mesmo racionais?
Será que essa vida toda é um sonho? Ou será que ela é real? Quem garante? Você? Ele? Ela? Eles ou nós?
Eu tinha uma pergunta a ser feita, mas eu me perdi no meio de tantas que vieram me seguir...

O amor existe mesmo?

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

S02E11

"Outono de Vivaldi tocava no último volume do seu quarto, tudo escuro. Um feixe de luz saía da tela do celular, com o flip aberto, iluminando parcialmente o rosto de Marcos, o travesseiro e seu cigarro.
Na tela do celular aparecia Roberta Cel Chamando... pela quinta vez, mas nada dela atender. Tentou pela sexta vez e então desistiu, apertando o celular na mão, apoiando sua testa nela e começou a chorar. Estava depressivo, carente e precisava de alguém, alguém em expecífico, e esse alguém era a dona do celular que não o atendia.
Fechou o celular, colocou-o na escrivaninha e pegou seu notebook e entrou no orkut, sua última saída era mandar um recado para ela e ver se ela respondia. Quando abriu o livro de recados viu algo que não o agradou, Roberta estava de rolo com um cara, e ele nem sabia quem era. Sentiu-se traído, passado pra trás, como uma roupa velha que não poderia mais ser usada por causa de uma mancha ou dano.
Fechou os olhos e se lembrou da noite que teve com Renato. Foram ao PUB ver o jogo do Palmeiras, a vitória sobre 4 x 1 em cima do Flamengo, beberam até não aguentar mais e seguiram para casa. A cena trocou rápidamente e agora ele estava em uma floresta, mas totalmente diferente.
As árvores eram feitas de tinta, como um quadro impressionista do século XVI. O chão, também feito de tinta, era escorregadio e por onde ele pisava deixava marcado seus passos, como cimento fresco. Mais adiante as árvores sumiam, parcialmente, até chegar no topo de uma colina.
Olhou para o horizonte e via uma cadeia de montanhas adiante, desceu seu olhar e encontrou um rio estreito que corria ao pé das montanhas. Correu colina abaixo e caiu, rolou e chegou no final da colina, deitado de barriga pra cima, rindo desesperadamente. Fechou os olhos e abriu.

Seu quarto tocava Inverno de Vivaldi e a tranquilidade veio à tona... Era um dia a menos na contagem para sexta-feira, onde seria o grande dia de colocar todas os problemas na pauta. Ele mal esperava a hora de poder olhar pra Roberta e abraçá-la..."

terça-feira, 28 de outubro de 2008

S02E10

"Marcos estava deitado na cama do seu quarto, já em casa. Com a cabeça sobre o travesseiro, fumava um cigarro, com a perna ainda engessada pelo acidente, mas totalmente recuperado do resto. Olhava para o teto com um ar triste nos olhos.
- Deixa eu ver se eu entendi então. - Começou Renato, que estava sentado na cadeira do computador virado para a cama. - A Roberta acha que você está com a Stela, sendo que na verdade você nem curte mais ela. Por outro lado, Stela acha que você não quer nada com ela por causa da Roberta, é isso?
- Eu tô fudido, Re. Eu fudi tudo, de vez.
Marcos estava abalado com a última vez que vira Roberta e Stela, as duas no mesmo dia, ao mesmo tempo. Havia se passado uma semana, desde então não viu mais nenhuma das duas. Roberta não atendia as ligações dele e Stela não o via, pois ele tinha que ficar em casa de repouso.
No hospital, Roberta havia deixado a sala assim que vira os dois na cama. Sem falar nada, deixando apenas o buquê na mesa e saindo, provocando um enjôo estomacal absurdo no menino.
- Calma, cara. - continuo o irmão. - Sexta você vai na festa com a Fabi e a Anahí, elas falaram que a Rô vai tá lá, quem sabe vocês não conversam né? Sei lá, tenta falar com ela direitinho... talvez dê certo. Ela vai ver que tá pensando merda e vai te dar uma chance...
- Velho, eu nem sei se ela quer mesmo algo comigo. Ela acabou de terminar o namoro, eu vou lá saber o que tá se passando naquela cabecinha? Que merda...
A porta do quarto se abriu e então apareceu Anahí, sorridente como sempre.
- E aí, menino! Melhor? - foi até Marcos e o cumprimentou, então sentou-se no colo de Renato e o beijou.
Marcos soltou um muxoxo inaudível e continuou fumando seu cigarro. Agora era esperar sexta-feira e ver o que seria da sua vida com Roberta depois disso. Enquanto sexta não chegava, ele continuava tentando ligar para ela, que só o ignorava."

S02E09.I e S02E09.II

"Marcos abriu os olhos mas estava tudo escuro. Via de relance algumas pessoas que julgava serem paramédicos. Ouvia burbúrios e gritos de muitas pessoas, como também várias sirenes distintas e algumas mais ao longe, cada vez mais se aproximando. Seu carro estava tombado para o lado e vidros estavam espalhados por todo chão, em cacos. Do seu lado esquerdo tinha um outro carro com a parte frontal amassada e o vidro rachado. A chuva caía em seu rosto, tentava falar algo, mas não conseguia abrir a boca. Estava vivo e pensava muito nisso, para não cessar e morrer e estava com muito medo, pois sua perna esquerda não se mexia de jeito algum, e sentia seu braço esquerdo cortado, com o sangue escorrendo até a mão, esquentando-lhe o corpo.
Uma coberta o cobriu até o pescoço, enquanto alguém imobilizava o seu pescoço, e então o puseram em uma maca. A última lembrança que teve antes de apagar era a imagem de Bernardo e Renato conversando com dois policiais.
*
Marcos acordou assustado, com os olhos bem arregalados. Estava numa cama de hospital, com a perna esquerda para cima, engessada, um curativo no braço e uma mangueira de ar em seu nariz. Um pi pi constante ecoava pelo local, mostrando que seu coração estava firme e forte, batendo sem nenhum problema.
Na mesa, em sua frente, havia um arranjo de flores que, sem sobra de dúvidas, tinha sido feito pela sua mãe. Olhou para o lado e, ao invés de vê-la, encontrou Renato dormindo num sofá, meio desconfortável. Lá fora a noite estava linda, com um céu estrelado e, com uma dor de cabeça, olhou para o relógio que marcava meia noite e quinze.

Heis que a porta do quarto se abriu e Anahí entrou, com cautela. Olhou para Marcos e sorriu com surpresa:
- Até que enfim, menino! Achamos que você jamais iria acordar. Está se sentindo bem? Vou chamar a enfermeira...
- Estou bem sim. - disse Marcos ainda confuso. - Só uma dor de cabeça chata. Dormi muito?
- Há, apenas por três dias. Hoje é segunda-feira já. Sua mãe estava aqui até ontem, mandamos ela pra casa hoje e o Renato veio pra cá depois do serviço.
Marcos não acreditava. Ficou três dias desacordado:
- Ela está bem, minha mãe? Não queria deixá-la preocupada... - olhou para o arranjo de flores e notou que, além dele, tinha outro vaso com rosas brancas. - Quem mais veio me visitar?
- Ela está ótima. Os médicos disseram que você teve sorte de sair com vida e praticamente ileso do acidente, só quebrou a perna. - a cunhada apontou para o pé do garoto engessado e logo depois para as rosas brancas - Essas foram da Fabi, minha e do seu irmão. Rachamos para não gastarmos muito, afinal, temos que comemorar em grande estilo quando você se recuperar.
Marcos riu e olhou para o irmão, ainda adormecido. Sentia um remorso por ter causado todo aquele problema, não queria preocupar ninguém.
- Roberta passou por aqui também, no dia do acidente. Ela chorou muito, não entendi direito o porque, mas ela se sentia muito culpada. Alguns amigos seus passaram aqui também, da faculdade. Mandaram melhoras e fizeram uma cartinha com o nome de todos, com mensagem de todos, está na gaveta.
Marcos abriu a gaveta lentamente e leu a carta que iniciava com a caligrafia já conhecida de Anita. Mensagem de muitos amigos, motivando-o para sair logo e voltar a viver normalmente. Ficou muito feliz em saber que eles estavam se importando, por mais que esses últimos dias ele mal se importava com a faculdade. Percebeu, então, que era apenas a faculdade e não as pessoas que a freqüentavam. Pensou muito em Roberta, o que será que ela queria e se sentiu mal ao ouvir que ela pensava que era culpa dela. A culpa era dele, somente dele.
- Os médicos disseram que, assim que você acordasse, você ficaria mais um ou dois dias em observação e depois te dariam auta. - continuou Anahí, que tinha uma mãe enfermeira e então estava acostumada com essas situações. - Ah! E antes que eu me esqueça, tem uma menina que veio aqui todos os dias, uma tal de Stela. Disse para eu avisar à você que ela quer muito saber a hora que você acordar, que ela vem te ver no mesmo instante.
- Não avise ainda. Não estou muito bem para visitas. - Marcos respondeu instantaneamente. Não queria ver Stela, não alí no hospital, nas condições que ele estava.
A cunhada fez que sim com a cabeça e seguiu para o sofá. Levantou a cabeça do namorado e sentou, pousando a cabeça dele nas pernas dela, começou a fazer carinho e olhava para a janela:
- Ficamos assustados, menino! Isso não é coisa para se repetir, hein? - começou a menina.
- Eu sei, fiz a maior merda, desculpe. A Rô me ligou e eu fui às pressas para casa dela.
Anahí riu:
- É... Ela também estava aqui, batendo o cartão todos os dias, entrava no quarto e ficava horas sentada do seu lado. Eu jurava que um dia eu entrei e ela estava falando com você, mas ela parou assim que a porta se abriu.
Marcos ficou lisongeado e pasmo. Não imaginaria que Roberta visitaria-o tanto no hospital, como a cunhada estava dizendo.
- E ela não gostaria de saber a hora que eu acordei? Para ela você pode ligar, se quiser...
A cunhada riu. Balançou a cabeça negativamente e continuou fazendo carinho nos cabelos de Renato, que ainda dormia como uma pedra. Marcos sabia que o irmão só estava dormindo porque, provavelmente, ficou acordado os últimos três dias, sem sair do hospital (exceto na segunda que teve que trabalhar) e não aguentou mais e dormiu. O menino reclamou de fome e a cunhada, pacientemente, levantou-se e foi pedir uma refeição para as enfermeiras.
No momento em que ela saiu, a porta mal se fechara quando alguém entrou. Era Stela, com um ursinho na mão. Marcos não entendia como, mas parecia que ela sentiu alguma intuição, dizendo que ele acordou. Ainda em silêncio e com uma grande quantidade de lágrima no olhos, Stela se dirigiu para o lado da cama e deixou o ursinho no peito de Marcos, então o abraçou com cuidado e caiu nas lágrimas.
- Rezei tanto por você. Tive medo de te perder.
- Eu tô bem, Sté. - disse Marcos sem nenhum tom carinhoso ou rancoroso - Não precisa se preocupar tanto. Obrigado... pelo ursinho.
A menina levantou e enxugou as lágrimas, então sorriu. Passou as mãos delicadas pelo cabelo de Marcos e deslizou para seu rosto, que esquentou conforme corava. Os olhares se frizaram e continuavam em silêncio. Stela, com os olho ainda molhados pelas lágrimas, aproximou sua cabeça da de Marcos, como quem o tentasse te beijar:
- Não faça isso, Sté. - o menino cortou o momento que parecia-lhe mágico meses atrás. - Temos que conversar e entender exatamente o que está acontecendo...
- É verdade, me desculpa.
Stela ainda estava com a cabeça próxima de Marcos e foi se afastando lentamente. Quem visse agora acharia que os dois acabavam de trocar um beijo. Marcos ainda sorriu para a amiga e percebeu então que a sala não estava somente os, até então, três.
A sombra no chão o fez perceber que havia uma quarta pessoa na porta, parada. Achou que era a enfermeira e seu prato de comida, mas notou que estava errado quando viu os longos cabelos loiros já conhecidos. Roberta estava alí, parada, olhando para a cena e imaginando as hipóteses mais plausíveis para o que acabava de ver. Olhou secamente para Stela, que no momento se afastava da cama, abrindo espaço para Marcos ver que a menina, na porta, segurava um buquê de flores.
O quarto ficou em extremo silêncio, podendo-se só ouvir os pi pi's da máquina, que aceleraram um pouco com a aparição da dito cuja princesinha do menino."

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

S02E08

"O fim de semana demorou para chegar, mas quando chegou Marcos agradecia eternamente, pelo fato de não ter que ver Stela. A primeira semana de aula pós-feriado foi terrível, não pelo fato de Stela correr atrás dele, porque ela não estava fazendo isso, mas pelo fato de ele saber que agora ele tinha chances com ela, a sua musa inspiradora de anos, que sempre fora apaixonado.
Na mesma semana tentou evitar o máximo que podia Stela, faltou quase todos os dias na faculdade ou então ficava dentro da sala o tempo inteiro, assim ela não o incomodaria. No entanto, ao chegar na faculdade, ele passava pelo andar dela, em frente à sua sala, saía da aula para ir ao banheiro ou beber água umas cinco vezes.
Estava confuso, mas deixou Stela de lado no fim de semana, pois saíria com Renato e Bernardo para assistir ao jogo de futebol num PUB perto da Paulista. Durante o intervalo do jogo, seu celular tocou com um número desconhecido, atendeu rapidamente, meio alterado pelas inúmeras canecas de cerveja que havia tomado.
- Oi Má, é a Roberta, tudo bem? - a voz da menina estava diferente, meio baixa e dramática.
- Rô? Aconteceu algo?
A menina suspirava ofegantemente e soltou um pequeno choro no telefone. Disse que precisava de Marcos, que ela se sentia sozinha e só ele poderia acalmá-la.
Era a última grama de pólvora que caiu na cabeça de Marcos para a bomba explodir. Não sabia mais o que pensar. Stela, que antes namorava e o via como amigo, agora estava solteira e via que era ele o cara ideal para ficar com ela. Roberta, o dava bola enquanto namorava, parecia estar interessada quando tinha Silvio, mas quando ficou solteira começou o ignorar e não ligava mais para ele. E agora, depois de um tempo, ela ligava chorando, dizendo se sentir sozinha?
- Estou indo. - Marcos se levantou, pegou a chave do carro e se despediu do irmão e do amigo jogando o dinheiro dele na mesa. Os amigos o alertaram sobre a bebida, mas ele não os ouviu.
Entrou no carro às pressas e deu partida no carro, saindo cantando pneu, seguindo pela avenida molhada da chuva que caíra pouco tempo atrás.
Pensava no caminho se era exatamente isso que ele queria, ir e abraçar Roberta, ou ficar com seus amigos e ignorá-la como ela andou fazendo. Pensou também se ele não queria Stela, se ele estava apenas querendo encontrar na Roberta uma fuga para não gostar mais da outra.
E em meio de um pensamento ou outro ele atravessou um cruzamento e uma luz branca do seu lado esquerdo foi a última coisa que viu. E então, alguns minutos mais tarde, ouviu barulhos de sirene."

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

S02E07

"O feriado chegou ao fim e estava na hora de retomar os estudos, e foi exatamente isso que Marcos fez naquela quarta feira chuvosa. Tudo que precisou ele encontrou nessa semana do feriado, onde ele saiu com seus melhores amigos, pode desfrutar de companhias ótimas como do seu irmão Renato e sua respectiva namorada, Anahí, além de ter conhecido uma garota incrível, que o fazia perder o folêgo toda vez que olhava-a nos olhos, a Roberta.
Deixou seu carro no estacionamento, colocou o fone no ouvido e seguiu pela avenida movimentada até sua faculdade. A chuva diminuíra e as pessoas já andavam sem seus guarda-chuvas, apressadas, olhando para frente, sem olhar para quem estava à sua frente ou ao seu lado.
Marcos chegou mais cedo na faculdade, então resolveu passar por um café antes da aula para poder apreciar seu cigarro juntamente com a cafeína. Abriu a porta de vidro lentamente, se dirigiu até o balcão e pediu um expresso grande sem açúcar e foi se sentar na área descoberta. Sentou-se na cadeira meio molhada, de costas para a porta, acendeu um cigarro, tragou e soltou a fumaça lentamente. Parecia uma eternidade o tempo que passou longe da faculdade, não se sentia mais a vontade como antes naquele lugar, parecia uma obrigação ir. Antes até tinha Stela, que o fazia ter a vontade de se arrumar, vestir suas melhores roupas e ir todo sorridente para impressioná-la, mas nem de Stela se lembrava mais.
Seu café chegou logo em seguida, agradeceu a garçonete com um sorriso e deu um pequeno gole na xícara esfumaçante, estava quente! Decidiu tomar mais devagar do que o costume, curtindo cada momento naquele lugar que o deixava em paz, tranqüilo e sossegado. No celular tocava Linger do The Cranberries, quando a porta de vidro se abriu e alguém lhe tampou os olhos com as mãos, permanecendo em silêncio.
Sem tirar os fones, Marcos passou a mão nas que o estavam lhe cobrindo os olhos e sentiu uma pele macia, numa mão delicada e pequena, de unhas não tão compridas, porém não tão curtas. Era uma mão de menina, de uma mulher. As unhas estavam lisas, talvez pintadas num esmalte claro. Correu suas mãos para o braço da anônima, cobertos por uma manga de um casaco feito em tecido suave.
Desistiu de tentar adivinhar e uma risada já conhecida foi dada pela anônima. Inacreditável! Pensara nela minutos atrás, e como estava boa a vida sem sua presença, mas alí ressurgira Stela, mais bonita do que nunca, com os cabelos morenos longos soltos, caindo maciosamente pelas suas costas. Estava dignamente bem vestida, com um sorriso nunca visto, abraçou Marcos com uma vontade jamais sentida pelo menino antes, dizendo que estava com saudades dele e perguntou se podia sentar com ele.
- É... claro, claro. - disse Marcos tirando sua mochila da outra cadeira, secando-a com alguns guardanapos e dando outro gole no seu café. - Vai beber algo?
- Um café, eu já até pedi. - Stela riu e apoiou os cotovelos na mesa.
Marcos olho para a menina e sorriu, dando um trago em seu cigarro, apagando-o no cinzeiro e olhando para a mesa. Naquele momento viu algo que não gostaria de ter visto. Stela não usava mais aliança e aquilo o deixou hipnotizado por alguns instantes, olhando sem pestanejar para o dedo anelar direito da menina.
- E agora é de vez, posso te dar certeza disso. - disse a menina percebendo que ele havia notado. - Você sumiu no feriado, tentei te ligar várias vezes, mas seu celular só caía na caixa postal. Ele foi um ridículo, Má. Ai, você sempre teve razão... Não sei porque nunca te escutei antes...
- Nunca falei um A dele. - cortou Marcos.
- Talvez não tenha, diretamente, mas sempre vi que você era contra. Eu precisei tanto de você, obrigada. - fez uma pausa para agradecer seu café que acabava de chegar. - Queria te ver, te abraçar, mas você não estava lá para mim, onde você se meteu?
- Por aí... - Marcos estava nervoso, não sabia o que sentir, o que falar, o que fazer. Então, puxou mais um cigarro e acendeu.
A conversa durou e ficou naquilo durante alguns minutos, até que a garota terminou seu café e se levantou, dando a mão para Marcos.
- Vamos juntos? - sem responder, a menina já pegou a mão dele e foi andando para a faculdade. - Devíamos sair juntos esse fim de semana, você está livre?
- Tenho que ver, Sté. - Marcos soltou a mão dela rapidamente. - Tenho que ir para o meu carro, te encontro na faculdade mais tarde.
A menina concordou e, num movimento rápido, mas com muito carinho, roubou um selinho de Marcos, que ficou paralizado, mas curtiu cada segundo que os seus lábios tocaram o de Stela. Depois de tanto tempo, seu sonho se tornara real, e o beijo era exatamente como pensava. A menina ainda olhou nos olhos de Marcos e disse ao seu pé do ouvido:
- Não sei porque demorei tanto tempo para perceber que era você a pessoa certa.
Marcos permaneceu em silêncio. A chuva caía forte novamente e, sem pensar direito, ele deu as costas para Stela e seguiu para o estacionamento. Longe da vista da menina, começou a correr sem pensar, já não sabendo o que era lágrima e o que era chuva em seu rosto.
Chegou no estacionamento encharcado, abriu seu carro às pressas e sentou no banco, então fechou a porta. Estava ofegante, chorava de raiva, de ódio, de confuso e por não saber o que fazer. Pegou seu celular, queria falar com alguém, mas não sabia quem. Discou o número e o telefone começou a chamar.
- Alô? - a voz suave do outro lado da linha o fez acalmar um pouco, mas continuar em silêncio. - Alô? Má? É você? Aconteceu algo? Alô?
A voz era de Roberta.
- Desculpa Rô, liguei errado. - então desligou.
Encostou a cabeça no banco do carro e esmurrou repetidamente o volante. Stela tinha voltado para confundir sua cabeça, mas seu coração já tinha novo dono. Estava perdido, e alí ficou, no carro, olhando a chuva caindo."