Eu ando cansado pela rua, cabisbaixo. Cansado de andar em lugar para chegar.
Tô cansado de ficar sentado, esperando aquilo que eu nem sinto falta ainda. De ver tudo passando diante dos meus olhos e eu continuar alí, esperando.
Tô cansado de ser enganado, dia após dia. De viver num baile de máscaras onde ganha a máscara mais diferente, disfarçada e façante.
Tô cansado de dizer, tô cansado de escutar mentiras e dizer a verdade. Tô cansado de toda mesmice, cansado dos programas semanais da TV. Tô cansado.
Tô cansado de mim, deles e, principalmente, de você.
Tô cansado de estudar, de trabalhar e acordar cedo. De ter responsabilidades todos os dias, de não poder ter toda a censura livre que merecia.
Tô cansado de errar. De olhar com os olhos errados, de ser enganado com facilidade e vestir uma camisa escrito "otário".
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Viagem
Da janela do trêm, eu vejo a paisagem mudar rapidamente.
Ao lado direito, vejo árvores solitárias fazendo sombra para algumas pequenas ovelhas de lã bem branca que chegava a refletir o sol escaldante em algumas que ignoravam aquela dádiva de sombra.
O campo vasto alimenta alguns dos bois e duas vacas manchadas de marrom e branco. Ruminam, olhando para o chão, com a tranquilidade de quem não espera nada nem ninguém. Algumas, mais ousadas, experimentam olhar o horizonte, fitando nos olhos os passageiros mais curiosos que não estão dormindo ou lendo algum livro.
Uma cerca de madeira foi pintada de vermelho, criando um destaque no meio daquela paisagem natural. Fora fixada para dividir e impedir de que os animais que alí estavam fossem até o pequeno lago.
Na beira do mesmo, podia ver um rapaz sem camisa, sentado com os dedos mergulhados. Com semblante tranquilo, olhava o céu por debaixo da aba do seu chapéu.
Da janela do trêm, eu vejo aquela paisagem mudar rapidamente.
Do vasto campo quase vazio, plantaram grandes pés de café, milho e até algodão, eu pude ver mais distante.
Aquelas bolinhas vermelhas misturavam-se com o amarelo ouro e verde claro do milho, fazendo daquela vista uma obra de arte natural. Mulheres com grandes cestas eram notadas entre um pé e outro, colhendo os frutos maduros com serenidade. Podia jurar que elas cantavam alguma cantiga aprendida há muitos anos atrás, talvez pelas suas avós.
Apesar de todo aquele sol, não havia uma que parecia estar mau humorada ou cansada.
Da janela do trêm, vejo o campo urbanizar.
E a natureza ficou pra trás, dando espaço para as casas, rios fedorentos, carros e prédios comerciais.
Tudo isso em pouco mais de uma hora.
Ao lado direito, vejo árvores solitárias fazendo sombra para algumas pequenas ovelhas de lã bem branca que chegava a refletir o sol escaldante em algumas que ignoravam aquela dádiva de sombra.
O campo vasto alimenta alguns dos bois e duas vacas manchadas de marrom e branco. Ruminam, olhando para o chão, com a tranquilidade de quem não espera nada nem ninguém. Algumas, mais ousadas, experimentam olhar o horizonte, fitando nos olhos os passageiros mais curiosos que não estão dormindo ou lendo algum livro.
Uma cerca de madeira foi pintada de vermelho, criando um destaque no meio daquela paisagem natural. Fora fixada para dividir e impedir de que os animais que alí estavam fossem até o pequeno lago.
Na beira do mesmo, podia ver um rapaz sem camisa, sentado com os dedos mergulhados. Com semblante tranquilo, olhava o céu por debaixo da aba do seu chapéu.
Da janela do trêm, eu vejo aquela paisagem mudar rapidamente.
Do vasto campo quase vazio, plantaram grandes pés de café, milho e até algodão, eu pude ver mais distante.
Aquelas bolinhas vermelhas misturavam-se com o amarelo ouro e verde claro do milho, fazendo daquela vista uma obra de arte natural. Mulheres com grandes cestas eram notadas entre um pé e outro, colhendo os frutos maduros com serenidade. Podia jurar que elas cantavam alguma cantiga aprendida há muitos anos atrás, talvez pelas suas avós.
Apesar de todo aquele sol, não havia uma que parecia estar mau humorada ou cansada.
Da janela do trêm, vejo o campo urbanizar.
E a natureza ficou pra trás, dando espaço para as casas, rios fedorentos, carros e prédios comerciais.
Tudo isso em pouco mais de uma hora.
domingo, 15 de novembro de 2009
Curto Desabafo
A vida passa, a gente se lembra e pensa no futuro. E nesse vai e vem de pensamentos, o nó é feito com precisão.
Eu me peguei esses dias na frente do espelho, tentando reconhecer essa cara que já não me parece ser mais minha. Eu não sei se é amor, paixão ou desespero. Eu não sei se é a verdade ou a mentira criada para preencher um espaço no meu peito que há muito está vazio.
Não sei se meu jeito está errado ou se tá certo, se é qualidade ou defeito, vício ou virtude. Eu já encontrei o amor da minha vida três vezes, e de três maneiras diferentes.
Eu só sei que tá difícil reviver isso pela enésima vez.
Mas eu já sei como, no final, isso vai acabar. É a última chamada para aqueles que querem deixar tudo para trás e tomar a pílula azul.
Eu me peguei esses dias na frente do espelho, tentando reconhecer essa cara que já não me parece ser mais minha. Eu não sei se é amor, paixão ou desespero. Eu não sei se é a verdade ou a mentira criada para preencher um espaço no meu peito que há muito está vazio.
Não sei se meu jeito está errado ou se tá certo, se é qualidade ou defeito, vício ou virtude. Eu já encontrei o amor da minha vida três vezes, e de três maneiras diferentes.
Eu só sei que tá difícil reviver isso pela enésima vez.
Mas eu já sei como, no final, isso vai acabar. É a última chamada para aqueles que querem deixar tudo para trás e tomar a pílula azul.
sábado, 14 de novembro de 2009
Conexão
Você é como música.
Melodia e harmonia singela. Se completa com a letra e se encontra em diversos corações.
Você é como pintura.
Com pinceladas suaves, retratando a pura beleza. Obra-prima da felicidade.
Você é como literatura.
Leitura tranquila e amena. Contando histórias de amor para até aqueles que não querem ouvir.
Você é arquitetura.
Estática e dura. Suas paredes frias escondem um espaço grande por dentro, onde ninguém pode chegar.
Você é poesia.
É trova e soneto. É rima rica, é estrofe ajustada. Metaforiza os mais diversos sentimentos.
Você é arte.
E, como toda arte, só faz o bem para aqueles que te enxergam.
Melodia e harmonia singela. Se completa com a letra e se encontra em diversos corações.
Você é como pintura.
Com pinceladas suaves, retratando a pura beleza. Obra-prima da felicidade.
Você é como literatura.
Leitura tranquila e amena. Contando histórias de amor para até aqueles que não querem ouvir.
Você é arquitetura.
Estática e dura. Suas paredes frias escondem um espaço grande por dentro, onde ninguém pode chegar.
Você é poesia.
É trova e soneto. É rima rica, é estrofe ajustada. Metaforiza os mais diversos sentimentos.
Você é arte.
E, como toda arte, só faz o bem para aqueles que te enxergam.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Escureceu
Escureceu e o mundo parou. As luzes cessaram, os carros passavam e as pessoas congelaram, abismadas. Alguns diziam ser o fim do mundo, outros, mais céticos, faziam piadinhas de um gosto nada comum e outros berravam aos quatro cantos o temor instalado no peito. A verdade era que ninguém estava nada confortável com aquela situação.
E passada uma hora, todos se amedrontaram com a escuridão. Os mais desesperados até pensaram em se matar quando ficaram sabendo que aquilo poderia durar mais de um dia inteiro. Outros, mais descolados, souberam aproveitar a vida sob luz de velas por todos os cantos, tentando criar a falsa verdade, uma ilusão.
Os mais ligados, utilizaram seus aparelhos eletrônicos com bateria e rezaram para que a mesma notícia que fez os desesperados entrarem em depressão não fosse verdade. Os mais intelectuais leram seus livros com a ajuda de lanternas e os boêmios continuaram onde estavam antes da escuridão: na mesa do bar.
Os bebês dormiam, as crianças choravam e os adolescentes usaram o fato como pretexto para fazer tudo aquilo que queriam com a amiga e/ou amigo, mas nunca tiveram coragem. Os mais desencanados dormiram, os mais encanados ligaram para Deus e o mundo perguntando se estavam bem, pois tinha medo de que aquilo poderia ser um atentado terrorista.
Os mais religiosos rezaram todo o terço para que aquilo nada mais fosse do que uma queda de energia, enquanto os mais preguiçosos rezavam dois terços para que a luz não voltasse até as 18 horas do dia seguinte, simplesmente para não precisarem trabalhar.
Os mais dependentes choraram, as mais donas de casa também. Só que o primeiro chorava porque não se tinha nada para ouvir, com quem falar ou o que fazer, enquanto a segunda chorava por não ter tido tempo de assistir o último bloco do capítulo da novela.
Enquanto os mais pensadores e sonhadores, fizeram o que sempre fazem: chegaram em casa, tiraram os tênis, as meias, debruçaram sobre a janela e começaram a pensar na saída para um mundo melhor...
Dois minutos a luz voltou, e tudo voltou ao que era antes.
E passada uma hora, todos se amedrontaram com a escuridão. Os mais desesperados até pensaram em se matar quando ficaram sabendo que aquilo poderia durar mais de um dia inteiro. Outros, mais descolados, souberam aproveitar a vida sob luz de velas por todos os cantos, tentando criar a falsa verdade, uma ilusão.
Os mais ligados, utilizaram seus aparelhos eletrônicos com bateria e rezaram para que a mesma notícia que fez os desesperados entrarem em depressão não fosse verdade. Os mais intelectuais leram seus livros com a ajuda de lanternas e os boêmios continuaram onde estavam antes da escuridão: na mesa do bar.
Os bebês dormiam, as crianças choravam e os adolescentes usaram o fato como pretexto para fazer tudo aquilo que queriam com a amiga e/ou amigo, mas nunca tiveram coragem. Os mais desencanados dormiram, os mais encanados ligaram para Deus e o mundo perguntando se estavam bem, pois tinha medo de que aquilo poderia ser um atentado terrorista.
Os mais religiosos rezaram todo o terço para que aquilo nada mais fosse do que uma queda de energia, enquanto os mais preguiçosos rezavam dois terços para que a luz não voltasse até as 18 horas do dia seguinte, simplesmente para não precisarem trabalhar.
Os mais dependentes choraram, as mais donas de casa também. Só que o primeiro chorava porque não se tinha nada para ouvir, com quem falar ou o que fazer, enquanto a segunda chorava por não ter tido tempo de assistir o último bloco do capítulo da novela.
Enquanto os mais pensadores e sonhadores, fizeram o que sempre fazem: chegaram em casa, tiraram os tênis, as meias, debruçaram sobre a janela e começaram a pensar na saída para um mundo melhor...
Dois minutos a luz voltou, e tudo voltou ao que era antes.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Pecadores
Há muito venho procurando os motivos, as causas de todas essas consequências banais. O efeito borboleta, efeito dominó, o circuito da bola de neve que rola do alto da montanha, crescendo a cada centímeto que passa, levando consigo tudo aquilo que sempre esteve preso a ela.
Eu procuro em cada canto, vasculho dentro de livros, nos e-mails antigos e até na minha mente devassada por imagens ocultas e sombrias. Mas não encontro nada! Me parece, e tudo indica, de que tudo fora varrido para debaixo do tapete, esse qual eu não possuo dentro de casa.
Já pensei em gritar, em berrar, em xingar e já os fiz de monte, mas é claro que de nada adiantou. O ser humano peca mais é na hora de resolver, ele deixa o mar puxar, ele fecha os olhos e sente o vento passar pra levar tudo embora. Mas o vento assim vai como volta, berrando, xingando e gritando.
Até que tentei me aproximar, chegar pertinho pra tentar descobrir, desamarrar o nó que fiz um tempo atrás. Mas nem me lembrava de que o nó fora bem dado e assim ficou até então. E o ser humano peca aí também, dando o nó para nunca mais esquecer, se esquecendo de que um dia terá que o fazer. O ser humano peca por ser inconsequente e falastrão. Maldito seja aquele que descobriu a fala e o ódio, a cabeça quente e o entusiasmo.
Procurei novos lugares, quis me mudar, fugir para nada longe, apenas para o outro lado do rio. Quis atravessar a ponte, pensando em talvez nem dar tchau. Arrumar as malas em um dia em que estivesse sozinho, deixar um bilhete singelo agradecendo tudo e todos, porém levando no coração a maldita vontade de que um turbilhão os atingisse na próxima primavera. O ser humano peca é na vontade de vingança, é na sede pelo rancor, na fome pelo desespero alheio e no anseio pelo egocentrismo absoluto.
Sentei na mais bela biblioteca, abri livros dos mais conceituados autores e anotei frases de impacto que poderiam me trazer respostas para as perguntas que me atordoavam. Implorei por uma resposta, clamei por uma atenção, mas o autor do livro sequer notou a presença do meu problema. O ser humano peca é na hora de ser gentil e distribuir favores.
Para ele, o favor é como moeda. Você só entrega um na troca de outro. É o puro capitalismo da banalidade. Gentilezas e bondades nunca vem de graça, pois se é medíocre demais pensar em uma bobagem como essa.
É então que eu me canso de procurar e me sento no sofá do nono andar. Acendo aquele já esperado cigarro noturno e reflito. O ser humano peca e sempre vai pecar. Mas é para isso que o próprio ser humano inventou o perdão: para que a economia de gentilezas, bondades e afetos continue girando e, assim, no final, tudo acaba em risadas na mesa de um bar, recheada de cervejas.
Eu procuro em cada canto, vasculho dentro de livros, nos e-mails antigos e até na minha mente devassada por imagens ocultas e sombrias. Mas não encontro nada! Me parece, e tudo indica, de que tudo fora varrido para debaixo do tapete, esse qual eu não possuo dentro de casa.
Já pensei em gritar, em berrar, em xingar e já os fiz de monte, mas é claro que de nada adiantou. O ser humano peca mais é na hora de resolver, ele deixa o mar puxar, ele fecha os olhos e sente o vento passar pra levar tudo embora. Mas o vento assim vai como volta, berrando, xingando e gritando.
Até que tentei me aproximar, chegar pertinho pra tentar descobrir, desamarrar o nó que fiz um tempo atrás. Mas nem me lembrava de que o nó fora bem dado e assim ficou até então. E o ser humano peca aí também, dando o nó para nunca mais esquecer, se esquecendo de que um dia terá que o fazer. O ser humano peca por ser inconsequente e falastrão. Maldito seja aquele que descobriu a fala e o ódio, a cabeça quente e o entusiasmo.
Procurei novos lugares, quis me mudar, fugir para nada longe, apenas para o outro lado do rio. Quis atravessar a ponte, pensando em talvez nem dar tchau. Arrumar as malas em um dia em que estivesse sozinho, deixar um bilhete singelo agradecendo tudo e todos, porém levando no coração a maldita vontade de que um turbilhão os atingisse na próxima primavera. O ser humano peca é na vontade de vingança, é na sede pelo rancor, na fome pelo desespero alheio e no anseio pelo egocentrismo absoluto.
Sentei na mais bela biblioteca, abri livros dos mais conceituados autores e anotei frases de impacto que poderiam me trazer respostas para as perguntas que me atordoavam. Implorei por uma resposta, clamei por uma atenção, mas o autor do livro sequer notou a presença do meu problema. O ser humano peca é na hora de ser gentil e distribuir favores.
Para ele, o favor é como moeda. Você só entrega um na troca de outro. É o puro capitalismo da banalidade. Gentilezas e bondades nunca vem de graça, pois se é medíocre demais pensar em uma bobagem como essa.
É então que eu me canso de procurar e me sento no sofá do nono andar. Acendo aquele já esperado cigarro noturno e reflito. O ser humano peca e sempre vai pecar. Mas é para isso que o próprio ser humano inventou o perdão: para que a economia de gentilezas, bondades e afetos continue girando e, assim, no final, tudo acaba em risadas na mesa de um bar, recheada de cervejas.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
O mar
Pois é... finalmente nos reencontramos, né? Fazia tempo que eu falava pra Deus e o mundo que eu tava mesmo é precisando te ver e sentir toda'quela mistura de sentimentos bons que só você pode me causar.
O engraçado é que ninguém entende a minha relação de amor e respeito por você. Eles acham estranho eu não querer te tocar, eu não sentir você na minha pele e ficar apenas te observando e pensando o quanto é bom estar alí, frente a frente com você.
Acho que nem preciso falar que sentir você assoprando no meu rosto é algo que nada nesse mundo me faria melhor. E você sabe, pois eu fico de frente pra você, com meus dois olhos bem fechados e um sorriso bem besta na boca que vai se abrindo lentamente, até eu mostrar meus dentes, demonstrando toda felicidade do mundo. Tudo isso só em um assopro.
Me agrada o jeito que você acorda de manhã toda serena e me divirto com seu jeito peculiar de ir se irritando durante a tarde. Você nunca fala, mas tenho certeza que o sol te irrita muito e é isso que te faz ficar possessa.
Esse fim de semana eu vi o mar. Levei para ele todo meu rancor, toda minha raiva, todo meu desespero e, acima de tudo, todo o meu amor e compaixão. Cada onda quebrada com força levava a sua água até meus pés e neles eu consolidava todo meu sentimento.
A água fria passava por entre meus dedos e voltava para dentro de seus profundos domínios, levando de mim toda angústia de quem um dia chorou lágrimas para preenchê-lo. E do alto eu pude acender meu cigarro e observar cada movimento leve que a água fazia com o favor do vento.
Pensei, refleti, sorri e sentei com os pés suspensos no ar. Na sétima onda eu desejei aquilo que já tinha: extrema felicidade em viver.
O engraçado é que ninguém entende a minha relação de amor e respeito por você. Eles acham estranho eu não querer te tocar, eu não sentir você na minha pele e ficar apenas te observando e pensando o quanto é bom estar alí, frente a frente com você.
Acho que nem preciso falar que sentir você assoprando no meu rosto é algo que nada nesse mundo me faria melhor. E você sabe, pois eu fico de frente pra você, com meus dois olhos bem fechados e um sorriso bem besta na boca que vai se abrindo lentamente, até eu mostrar meus dentes, demonstrando toda felicidade do mundo. Tudo isso só em um assopro.
Me agrada o jeito que você acorda de manhã toda serena e me divirto com seu jeito peculiar de ir se irritando durante a tarde. Você nunca fala, mas tenho certeza que o sol te irrita muito e é isso que te faz ficar possessa.
Esse fim de semana eu vi o mar. Levei para ele todo meu rancor, toda minha raiva, todo meu desespero e, acima de tudo, todo o meu amor e compaixão. Cada onda quebrada com força levava a sua água até meus pés e neles eu consolidava todo meu sentimento.
A água fria passava por entre meus dedos e voltava para dentro de seus profundos domínios, levando de mim toda angústia de quem um dia chorou lágrimas para preenchê-lo. E do alto eu pude acender meu cigarro e observar cada movimento leve que a água fazia com o favor do vento.
Pensei, refleti, sorri e sentei com os pés suspensos no ar. Na sétima onda eu desejei aquilo que já tinha: extrema felicidade em viver.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Nem sempre tem que ser
Uma pintura.
Um pincel molhado toca a tela seca e desliza a tinta branco abaixo. Nessa pincelada única, e nas demais, o artista quis passar uma mensagem óbvia, porém complexa. Todos que passaram pela sua galeria naquela tarde, depois do quadro pronto, entendiam o que viam e o que Pierre, o artista, queria falar com ela.
Um outro instrumento de semelhança, em um movimento sagaz, desenhava a última abstração que lhe ocorria em mente, a imagem do que não lhe era verdade para os olhos, mas sim para o coração. Naquela tarde, muitos pararam para admirar o quadro de Marli, exposto num evento. Algumas pessoas não entendiam nada, mas sabia que ela queria passar alguma mensagem.
Do terceiro, mais alto e denegrado. Pôs-se a luz da primaveira e da arte fez-se a matéria da sua paixão. Misturou em tons pastéis o que lhe aguçava o paladar traiçoeiro e então colocou-se a pintar. O quadro na parede do quarto de Dênis não tinha nenhum significado e todo mundo o sabia. Mas ainda assim era uma obra-prima.
Nem tudo escrito e feito nessa vida tem que ter um significado para todos.
Um pincel molhado toca a tela seca e desliza a tinta branco abaixo. Nessa pincelada única, e nas demais, o artista quis passar uma mensagem óbvia, porém complexa. Todos que passaram pela sua galeria naquela tarde, depois do quadro pronto, entendiam o que viam e o que Pierre, o artista, queria falar com ela.
Um outro instrumento de semelhança, em um movimento sagaz, desenhava a última abstração que lhe ocorria em mente, a imagem do que não lhe era verdade para os olhos, mas sim para o coração. Naquela tarde, muitos pararam para admirar o quadro de Marli, exposto num evento. Algumas pessoas não entendiam nada, mas sabia que ela queria passar alguma mensagem.
Do terceiro, mais alto e denegrado. Pôs-se a luz da primaveira e da arte fez-se a matéria da sua paixão. Misturou em tons pastéis o que lhe aguçava o paladar traiçoeiro e então colocou-se a pintar. O quadro na parede do quarto de Dênis não tinha nenhum significado e todo mundo o sabia. Mas ainda assim era uma obra-prima.
Nem tudo escrito e feito nessa vida tem que ter um significado para todos.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
27/10/2009 - 02:31
Acabo de ver um filme que talvez tenha sido a obra que chegou mais próximo de entender o que é o amor. É engraçado e chega a parecer surreal como nos privamos da eterna felicidade, de encontrarmo-nos com o amor próprio - o caminho para uma vida perfeita - simplesmente para seguir moldes pré-estabelecidos em uma sociedade.
O meu propósito aqui não é, jamais, criar um discurso moralista e que chega a ser um clichê chato do jovem contra a sociedade. A única coisa que gostaria de dizer é que, talvez, em uma sociedade mais liberal, o homem poderia encontrar o verdadeiro amor.
Veja bem. Existem dois tipos de casais muito destintos. Ambos se amam de paixão, porém só o primeiro consegue manter por dois anos e mais em um sentimento de paixão extrema e diária. O segundo, entretanto, está tão apaixonado quanto o primeiro, mas não é tão tardia a morte dessa paixão que faz do amor algo tão vivo.
No filme, um trecho me chamou muito a atenção: "É engraçado... nós fomos e não fomos feitos um para o outro. É uma contradição. Para entender, é preciso um poeta [...] Porque eu não entendo." Essa frase me despertou tão profundos pensamentos...
Não sei se todos pensam como eu (óbvio que não), mas Almas Gêmeas não estão predestinadas a se casar. Para mim, são pessoas - do mesmo sexo ou não - que combinam muito, mesmo não tendo nada em comum. Elas se completam de alguma forma, como a harmonia perfeita de uma música, o sentimento transcrito com sinceridade na poesia ou até mesmo a velha história da cara metade. Se essas pessoas tiverem a chance de se encontrar, se amarão para sempre e terão uma ligação que viverá além das capacidades humanas.
E não acho mesmo que todo mundo tem o privilégio de encontrar sua alma gêmea. A grande parte dos casais apaixonados e sorridentes que encontramos mundo afora é simplesmente o resultado da busca pela resposta para o amor que o homem começou faz muito tempo atrás: a ilusão.
Nós, ao longo do tempo, cansamos de entender esse sentimento tão benéfico e estridente e aderimos à técnica ilusória de criar e acreditar. Felizmente, ou não, somos capazes de criar o amor. Mas garanto que a cada dez casais - apaixonados ou não - apenas um realmente se ama. Ou não.
Cada um vê e entende o amor à sua maneira e talvez seja essa quase singularidade que nos faz tão únicos e destintos na hora de amar. Acabo de ver um filme e escrever. Agora me dei conta: ninguém, nunca, jamais irá compreender esse derradeiro e maravilhoso sentimento.
O meu propósito aqui não é, jamais, criar um discurso moralista e que chega a ser um clichê chato do jovem contra a sociedade. A única coisa que gostaria de dizer é que, talvez, em uma sociedade mais liberal, o homem poderia encontrar o verdadeiro amor.
Veja bem. Existem dois tipos de casais muito destintos. Ambos se amam de paixão, porém só o primeiro consegue manter por dois anos e mais em um sentimento de paixão extrema e diária. O segundo, entretanto, está tão apaixonado quanto o primeiro, mas não é tão tardia a morte dessa paixão que faz do amor algo tão vivo.
No filme, um trecho me chamou muito a atenção: "É engraçado... nós fomos e não fomos feitos um para o outro. É uma contradição. Para entender, é preciso um poeta [...] Porque eu não entendo." Essa frase me despertou tão profundos pensamentos...
Não sei se todos pensam como eu (óbvio que não), mas Almas Gêmeas não estão predestinadas a se casar. Para mim, são pessoas - do mesmo sexo ou não - que combinam muito, mesmo não tendo nada em comum. Elas se completam de alguma forma, como a harmonia perfeita de uma música, o sentimento transcrito com sinceridade na poesia ou até mesmo a velha história da cara metade. Se essas pessoas tiverem a chance de se encontrar, se amarão para sempre e terão uma ligação que viverá além das capacidades humanas.
E não acho mesmo que todo mundo tem o privilégio de encontrar sua alma gêmea. A grande parte dos casais apaixonados e sorridentes que encontramos mundo afora é simplesmente o resultado da busca pela resposta para o amor que o homem começou faz muito tempo atrás: a ilusão.
Nós, ao longo do tempo, cansamos de entender esse sentimento tão benéfico e estridente e aderimos à técnica ilusória de criar e acreditar. Felizmente, ou não, somos capazes de criar o amor. Mas garanto que a cada dez casais - apaixonados ou não - apenas um realmente se ama. Ou não.
Cada um vê e entende o amor à sua maneira e talvez seja essa quase singularidade que nos faz tão únicos e destintos na hora de amar. Acabo de ver um filme e escrever. Agora me dei conta: ninguém, nunca, jamais irá compreender esse derradeiro e maravilhoso sentimento.
Com amor,
Thiago Klein
Thiago Klein
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Coisas que quero...
Quero férias de verdade, quero tempo. Quero ouvir o galo cantar, quero assistir ao sol nascer, quero ver o céu clarear em tons alaranjados, fazendo do azul uma simples tela de pintar.
Quero poder falar sem pensar, rir sem ter medo de ser julgado e conversar durante horas a fio, sem ser interrompido. Quero poder comer tudo o que está na mesa, beber da cerveja mais gelada e brindar com os amigos a existência da vida. Quero poder acordar bem cedinho pra por os pés na areia e ouvir um bom dia cheio de ressaca da noite anterior e ainda tomar um café da manhã, olhando o mar em silêncio.
Quero poder fazer barulho a hora que for, e falar a hora que me desejar. Quero aprender a engolir sapos sem me machucar e também quero aprender a deixar a raiva passar mais depressa.
Quero sentir o vento na cara, ao abrir a porta da varanda. E poder olhar a rua lá embaixo enquanto acendo um cigarro, ouvindo a melodia do violão que o rapaz se pôs a tocar logo depois que subiram o casal e o dono da casa.
Preciso ver o mar.
Quero rir a toa, quero viajar e ainda ter de voltar para o trabalho na semana seguinte. Quero viver bem, quero ter saúde e não sentir mais dor. Quero ter dinheiro e felicidade. Quero ter momentos. Quero carinho, quero beijos e abraços. Quero ouvir um eu te amo só de quem eu realmente espero e quero sentir arrepios com seus dedos em meus cabelos.
São coisas que quero, são coisas que tenho. Mas eu quero sempre mais.
Quero poder falar sem pensar, rir sem ter medo de ser julgado e conversar durante horas a fio, sem ser interrompido. Quero poder comer tudo o que está na mesa, beber da cerveja mais gelada e brindar com os amigos a existência da vida. Quero poder acordar bem cedinho pra por os pés na areia e ouvir um bom dia cheio de ressaca da noite anterior e ainda tomar um café da manhã, olhando o mar em silêncio.
Quero poder fazer barulho a hora que for, e falar a hora que me desejar. Quero aprender a engolir sapos sem me machucar e também quero aprender a deixar a raiva passar mais depressa.
Quero sentir o vento na cara, ao abrir a porta da varanda. E poder olhar a rua lá embaixo enquanto acendo um cigarro, ouvindo a melodia do violão que o rapaz se pôs a tocar logo depois que subiram o casal e o dono da casa.
Preciso ver o mar.
Quero rir a toa, quero viajar e ainda ter de voltar para o trabalho na semana seguinte. Quero viver bem, quero ter saúde e não sentir mais dor. Quero ter dinheiro e felicidade. Quero ter momentos. Quero carinho, quero beijos e abraços. Quero ouvir um eu te amo só de quem eu realmente espero e quero sentir arrepios com seus dedos em meus cabelos.
São coisas que quero, são coisas que tenho. Mas eu quero sempre mais.
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