quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Entre eu e você

É engraçado como só nas horas de aperto eu venho me esconder atrás do seu ombro.
Engraçado e vergonhoso. Acho até que mereço... não. Acho que devo pedir desculpas.
Mas pouco depois de um mês sem ao menos me lembrar que você existe, eu voltei correndo. E até perdi a mão pra escrever, não quero nem fazer bonito, é mais um desabafo.
O motivo?
Insônia, talvez. Paixão, sempre. Desilusão.... preciso comentar? Você sempre foi o meu peito aberto, aclamando a multidão vazia dele mesmo.
A verdade é que parece que perdi o jeito, o jogo de cintura. Não voltei e nem lembrei de ti.
Mas foi só eu ver um retrato aqui ou ler uma frase acolá que você surgiu na minha cabeça. E junto de você diversas ideias fervorosas, implorando para serem descartadas aos montes de lixos luxosos desse clichê que você se tornou.
Foram já alguns anos. E eu quero mais.
Não te abanadonarei, não hoje. Talvez nunca.
Mas que isso tudo fique sempre entre você e eu.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O ritmo da chuva

As gotas de água que caem e batem na janela ditam o ritmo da noite.
Tortuosa e efervescente. Vez e outra avisam com fervor que estão ali, e que ali ficarão até o sol chegar e dar um fim em toda a festa.
Quando quer assustar, ela se faz aparecer com seus berros estrondosos depois da grande luz. "Estou aqui!", grita.
Mas o ritmo agrada e faz movimentar os pés do ouvido, as mãos do coração, os olhos do lábio. Ela ensina que temer é também para os fortes. Afinal, ela racha montanhas, deforma as rochas e transforma mundos.
Ela leva o que não quer e traz o que eles que não querem. A desilusão, um pesadelo e o começo de um fim. O fim por si só.
Mas no bater da minha janela, ela vai criando a harmonia.
O ritmo "tinlim tim tim", "tinlim chuá". É o ritmo da chuva.
E eu vou dançar conforme as gotas que caem na pista em que vivemos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Da última vez nem lembro

Nem Platão explica o amor que eu sinto por você.
Já tentei explicar, pra ele, pra ela, até mesmo pra ti, mas ninguém me entendeu.
Você ao menos me ouviu?
Se fosse apenas uma paixão, eu ia ter toda aquela necessidade de sentir cada parte sua no meu corpo, me causando arrepios e prazeres. Precisaria te ver todos os dias, ao meu lado, sempre.
Mas não tenho e por isso é amor. E ninguém me ouve, ninguém me entende.
E que saudade eu tenho do seu temperamento. Tranquilo pela manhã, agitado durante a noite.
De sentar naquele banquinho debaixo d'árvore e te ver de longe, brincando na areia, descansando debaixo do pôr do sol.
E só de lembrar agora, sei que preciso te ver. O dia não vem, a hora não passa.
Enquanto não chega, insisto e fechar os olhos e ouvir sua voz.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Olhar

Suas palavras atacam meu coração crédulo.
Seu sorriso afaga um peito adormecido na convulsão.
Seus abraços e suspiros escrevem uma história romântica.
Seu cochicho em meu ouvido, suas risadas repreensoras.
E no final de tudo isso, eu acabo acreditando.
Mas é no seu olhar que eu ainda não encontro a total verdade.

sábado, 27 de novembro de 2010

É piegas, mas é sincero.

Eu simplesmente não sei como diria isso.
Mas desde a primeira vez que vi teu sorriso, o meu mundo parece ter perdido o eixo.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Essa é pra você

Pra você que acha que a roda gira apenas pela sua invenção.
Pra você que enxerga o certo apenas nas linhas escritas pela sua caneta.
O tesouro não está no xis que você marcou como fim do caminho.
E, felizmente ou não, sua vida não é apenas aquelas promessas que você fez durante quatro anos.
Você nunca mais vai dizer boa noite, nem mesmo abraçar enquanto declama as saudades.
Você pensa que o erro foi só deles, mas o erro caiu durante a guerra das armas.
E, infelizmente, você não teve a capacidade de uma grande potência pra dizer "eu errei" ou "eu estava errada".
Resumindo: você é medíocre.

sábado, 13 de novembro de 2010

Eu te amo

Quando se ama, se tem o direito de ser brega.
É por isso que todos dizem "eu te amo".

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Meditação

De olhos fechados eu consigo ouvir bem melhor.
O chiado das árvores anunciando a tempestade.
Consigo enxergar através das lentes embaçadas,
Prevendo o próximo movimento do cavalo no xadrez.
Consigo imaginar toda minha vida.
Às vezes no céu, às vezes no inferno. Às vezes no limbo.
O bom mesmo é só enxergar a maçã no fundo branco.
Ou melhor, só o branco.
O abrir e fechar das narinas ensinam o coração ansioso.
Carregando os pulmões com ar puro,
Elevando meus pensamentos ao último andar.
As pernas cruzadas disciplinam a minha folga.
A coluna reta arde e assina a dor não sentida.
Até o rio, lá embaixo da colina, parece saudar a minha calmaria.
Uma gota de chuva parece cair ao meu lado.
O céu está limpo, claro e vívido.
Respiro fundo.
Treino a compreensão.
Abro os olhos e me vejo do outro lado.
Sentado em meu quarto.

sábado, 30 de outubro de 2010

Num gole só

Me dá esse copo, que eu já sei que ele é meu.
Faça eu engolir cada gota do seu rancor, da sua agonia, dessa loucura que diz ser amor.
Chore também as suas lágrimas e misture-as com uma colher de pau.
Diga que eu já fui melhor, que não lhe dou valor.
Vomite tudo o que você sente.
Bota no copo.
Que eu engulo num gole só.

domingo, 24 de outubro de 2010

Inspiração

Viagem de trêm. Um cigarro aceso no silêncio. Uma noite incrível! Uma resposta bem dada. Um livro lido na tarde de outono. A história criada no sonho mais íntimo.
Você dançando.
O desconhecido. A dúvida. O conhecido. A certeza. Uma conversa ao pé da janela. O observar das estrelas. Uma letra de música. Uma lembrança dolorosa.
Você de branco.
A experiência dos mais velhos. Os conselhos dos pais. Dos amigos. Dos não tão amigos assim. Dos quase desconhecidos. O som da água caindo do chuveiro. O pensamento antes de dormir. Um sentimento, ou dois.
Você sorrindo.
Um insight. Uma página em branco. Um sonho! O barulho que arrepia. A cerveja gelada acompanhada da risada. Um melhor amigo. Uma partida de futebol. O primeiro emprego, e o segundo também.
A sua voz.
Mais um aniversário. Um beijo e um abraço. Colo e carinho. Fantasmas, Deus e o Diabo. Céu e Inferno. Uma verdade e várias mentiras. Várias verdades. O frio e o sol. Uma carta, uma foto e uma taça de vinho.
Viver é uma inspiração interminável.