segunda-feira, 8 de agosto de 2011

360

Uma volta completa completando o ciclo.
Uma vida em três versos.
Dois personagens.
Um sempre mesmo antagonista.
Um clichê que nem se deve crer.
Uma coragem de deixar se levar.
A covardia de querer.
O medo de te querer bem.
E de desejar por vinte e quatro horas.
Histórias escritas e apagadas.
Em linhas tortas, em mentiras retas.
Diretas.
Parece que foi ontem.
Mas está sendo agora.
Tudo isso ao mesmo tempo agora.
Em uma volta de 360 desabafos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

JBB 2

Uma flor se foi.
Mas seu perfume continua invadindo nosso ecossistema.

JBB

Nunca a vi, nem a ouvi.
Só sei que andava de bicicleta e sonhava com o príncipe cavalgando em seu cavalo branco.
Que penteava cabelo de bonecas, sonhando que um dia elas poderiam chamá-la de mãe.
Quem é ela? Jamais saberei.
Mas eu a vi correndo atrás daqueles que ela mais desdenhava.
Dos amores que ela menos esperava.
Dos sabores que ela sempre venerou.
Mas ela jamais provou aquilo que se diz ser necessário.
Do que diz fazer-se de uma só pessoa.
Talvez ela fez-se só de três.
Que jamais amou mais que um pai e mãe.
Mais que dois irmãos e meio.
Menos que ela um dia amaria.
Ela acena, mas não termina seu desenho.
Sorri e deixa a lágrima escorrer.
Estapeia a injustiça daqueles que julgam ser divino.
Ou não.
Ela apenas foi com promessas de voltar.
Alguém que jamais conheci.
Mas pude sentir a perda de mais uma inocência.
E que os sorrisos registrados em vida
Não sejam deturpados, estuprados e esquecidos.
E que com uma morte, faça-se valer todas as vidas.
Daqueles que um dia puderam ir e virassem flor.

Descanse em paz...

domingo, 17 de julho de 2011

Apenas não consigo o bastante

Por mais que já soubesse o que é isso faz tempo, hoje eu me apaixonei pela primeira vez.
Ouvir seu suspiro antes de cantar.
Ver seu olhos se fechando no refrãos.
O seu sorriso ao declararmos uma frase juntos.
Um olhar perdido para o céu.
Eu aqui e você aí.
Tão distantes.
Amar um música não é tão mais simples assim.

terça-feira, 12 de julho de 2011

7 dias

O inferno foi descrito.
O planeta foi criado.
Documentos produzidos.
Mas só alguns retirados.
Uma nova história sendo escrita.
Uma ausência bem lembrada.
Uma missa foi resada.
E uma saudade foi sentida.
Uma lágrima foi escorrida.
Até a lembrança foi esquecida.
Da tua voz, cheiro e sorriso.
O olhar da minha menina.
Em sete dias, tudo isso.
Eu sequer olhei pra trás.
Em sete dias, tudo isso.
Que não é nada demais.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Desafiar

Me peguei com o fogo na mão e o prazer entre meus lábios. Parado, refletindo.
Observando como quem tentava buscar a inspiração. Inspirei. Expirei.
A conclusão? Não cheguei.
Então corri para pegar meu caderninho e vomitar esse turbilhão.
Narrar o tic tac exato. O agora e de novo.
Quando você tocou a campainha, me despertando.
Uma visita e a lembrança. Breve como a brisa que bateu na janela há pouco.
E enquanto acendia meu cigarro, apagava nossa história.
Varri para debaixo do sofá toda essa farsa.
E encontrei o desejo de conquista que havia escondido de mim mesmo.
O pendurei na parede e lhe convidei para entrar.
E assim que você viu aquilo na parede, entendeu.
Essa maravilhosa sensação de desafiar o amor.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Brincadeira de criança

Não há nada mais sincero que o sorriso de uma criança.
Que com sentimentos límpidos e suaves, interpretam olhares com o mais puro dos corações.
Como quem massageia a alma com palavras doces e afaga seus problemas em um colo quente e confortável. Que te faz sentir, ao lhe beijar a bochecha, arrepios no seu âmago.
A criança apaixonada.
Que desdenha de um abraço, mas prolonga a despedida alisando os seus ombros.
E finaliza com um sorriso que impressiona. Que desperta.
Um sorriso de uma criança completamente sincera...
Foi exatamente assim que você me sorriu no fim dessa noite.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Por aí

A essa hora você está por aí.
Vagando pelas ruas, enconstando-se em uma cadeira. Uma poltrona.
Seu sorriso vai sendo desenhado lentamente por um artista que você talvez tenha medo de questionar.
Seria esse um sorriso verdadeiro? Ou apenas mais uma tentativa de acerto?
A essa hora você está por aí.
Pulando de pensamento a outro, muitas vezes passando alguns para trás sem ao menos encostá-los com os pés.
De vez em quando até senta-se e acomoda-se no aconchego daquela idealização que você pensa ser real. Mas deixa logo de lado quando outra voz lhe chama. E volta pulando para o nada.
A essa hora você está por aí.
Brincando de atuação. Enganando os seus princípios.
Imaginando-se na tela de um cinema.
E eu, aqui, assisto em silêncio a tudo isso.
A essa hora você está por aí.
E por aqui você me deixa sem sua presença.
Volta logo, que eu não aguento mais a insônia.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Anos 80

E cá estou eu, sentado em minha cadeira de vime.
Descansando e balançando os pés, após uma caminhada que duraram alguns bons anos.
Não gosto de reclamar, mas dizem que eu tenho todo o direito.
Até me pergunto, de vez em quando, se existe alguma outra função para exercer.
Pelo menos não enxergo outra resposta diante de tantos olhos perdidos no tempo e no medo.
E nas falsas esperanças.
De um volto já. Um até logo.
Olhos perdidos na saudade.
E diante do espelho, enxergo uma vida inteira.
Nunca tão vivida e levada como desperdício.
Marcas de alguém que aprendeu.
Que viveu.
E agora apenas assopra velas esperando a hora de dizer, também, um até logo.

domingo, 19 de junho de 2011

Não dessa vez

Eu anotei cada inspiração que eu tive para escrever esse texto.
Lembro-me que peguei cada uma no ar, estourando como bolhas.
E as guardei dentro do bolso.
E levei todas pra minha mesa.
Uma, duas, três.
Uma palavra.
Duas fotografias.
Três segundos.
Outras mil que se eu for listar, vira uma prosa.
Mas prefri amassar todas.
E deixar esse texto pra lá.
Pra lá mesmo.