sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Remédio

É como ferir a cara com a palma aberta.
Desligar o cérebro da tomada e ligá-lo a uma bateria.
Duas pilhas alcalinas. 100% carregadas.
É como correr tão rápido por cima do mar e sentir que a qualquer momento você pode afundar.
Voar entre as nuvens por acaso e não ter a certeza de que uma hora não vai cair.
Vendar os olhos e atravessar o penhasco.
Ter medo é se sentir vivo.
E desabá-los sobre alguém é como arrancar seus segredos mais íntimos e dividí-los.
Colocando a sua confiança em cima da mesa.
Desafiando com fervor.
O que nos resta?
Se apoiar com palavras.
E enquanto ele, o medo, vai andando pelo seu corpo como um parasita,
Eu vou lhe tratando desse mal.
E dá-lhe sorrisos e olhares.
Beijos e abraços.
Dá-lhe amor, carinho e sentimento verdadeiro.
Pra curar seu coração.
Ainda bem que a gente junto é o melhor remédio.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Flor

Não faz um tanto que colhi uma flor num quintal desconhecido.
Ela é rosa, azul, amarela e verde. Branca, mas nada cinza.
Um arco-íris mantendo seu pote de ouro e muito perfume.
E que perfume!
Que te faz fechar os olhos e percorrer uma longa viagem de trem.
Bonita e nada breve.
Uma flor que levo no bolso e na mão. Nos braços e no peito.
Entre as pernas e atrás da orelha.
Levo a tranquilidade das suas pétalas e seu aroma me eleva.
Atinjo o céu.
E ela não se encolhe com o passar do tempo.
Ela se abre e se constrói no meu jardim.
Uma flor que se alimenta de carícias e elogios.
Que sorri ao sol e agradece à chuva.
Uma flor que fala.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Meu vício

Eu queria ser poeta e sem vergonha.
Para transformar o meu amor em poesia.
E não ter medo da sua reijeição.
Queria ser pedra em suas águas.
E poder quicar três vezes sobre sua superfície.
Antes de me perder no fundo dos seus olhos.
Seria brega e rei.
Só para te nomear princesa e não me envergonhar.
Quero ser vento e chuva.
E tocar seu rosto com suavidade. Arrepiar sua nuca.
Molhar seus lábios secos com a calmaria de uma garoa.
Eu queria ser uma estrela de rock internacional.
E fazer do seu sorriso a minha inspiração.
O seu abraço a minha droga.
E você o meu vício.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Gosto sim

Gosto de ouvir seu suspiro me acordando lá de longe, em silêncio.
Do jeito com que você me escuta, com olhos sonolentos e sorrisos acordados.
De como dividimos os segredos na mesa. Dois pra mim, um para você. Três é nós.
Gosto de assistir você dançar parada. Um musical digno de oscar.
Da sua ironia sincera, das nossas meias verdades.
Do seus lábios se contorcendo aquela noite em que eu me atrasei.
E gosto mais ainda quando eles voltam ao normal e desenham um riso de criança.
De toda essa história de amor que muito filósofo já tentou explicar.
Do jeito que você transforma a brincadeira em poesia.
Gosto de imaginar que você é um livro interminável com estrofes completas.
Uma música com a melodia perfeita.
É. Eu gosto de você.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Olhares

Em seu retorno, nada seria tão mais justo que uma grande história de mesmices.
E senta, e fala, e sorri, e convence. E mente e desmente. Segue em frente.
Acende o cigarro para continuar uma descrição cinematográfica e, com tragos prolongados, arranca a curiosidade dos ouvintes mais dispersos.
Mas pouco importa, quando seu interesse está diante dele.
Sentado com os olhos acesos, porém calmos como diversas manhãs de outonos descritas em livros já lidos antes. Que, a cada vírgula, se fechavam como planadores pousando em descampados. Suaves como o vento que escapa entre as frestas de uma janela de um carro, fechada quase que por completa, em uma longa viagem.
E, como se fosse um grande lago de águas quentes, navegou por aquele olhar com um conforto e segurança nunca vistos antes. Com suas palavras mais disfarçadas, disse que estava com a bússola em mãos.
Aquele olhar pouco se fez ao fechar por completo.
Prendeu a atenção com as cordas da sua determinação.
Arrancou-lhe o suspiro. O último trago.
E, enfim, terminou o capítulo de mais uma história.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

360

Uma volta completa completando o ciclo.
Uma vida em três versos.
Dois personagens.
Um sempre mesmo antagonista.
Um clichê que nem se deve crer.
Uma coragem de deixar se levar.
A covardia de querer.
O medo de te querer bem.
E de desejar por vinte e quatro horas.
Histórias escritas e apagadas.
Em linhas tortas, em mentiras retas.
Diretas.
Parece que foi ontem.
Mas está sendo agora.
Tudo isso ao mesmo tempo agora.
Em uma volta de 360 desabafos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

JBB 2

Uma flor se foi.
Mas seu perfume continua invadindo nosso ecossistema.

JBB

Nunca a vi, nem a ouvi.
Só sei que andava de bicicleta e sonhava com o príncipe cavalgando em seu cavalo branco.
Que penteava cabelo de bonecas, sonhando que um dia elas poderiam chamá-la de mãe.
Quem é ela? Jamais saberei.
Mas eu a vi correndo atrás daqueles que ela mais desdenhava.
Dos amores que ela menos esperava.
Dos sabores que ela sempre venerou.
Mas ela jamais provou aquilo que se diz ser necessário.
Do que diz fazer-se de uma só pessoa.
Talvez ela fez-se só de três.
Que jamais amou mais que um pai e mãe.
Mais que dois irmãos e meio.
Menos que ela um dia amaria.
Ela acena, mas não termina seu desenho.
Sorri e deixa a lágrima escorrer.
Estapeia a injustiça daqueles que julgam ser divino.
Ou não.
Ela apenas foi com promessas de voltar.
Alguém que jamais conheci.
Mas pude sentir a perda de mais uma inocência.
E que os sorrisos registrados em vida
Não sejam deturpados, estuprados e esquecidos.
E que com uma morte, faça-se valer todas as vidas.
Daqueles que um dia puderam ir e virassem flor.

Descanse em paz...

domingo, 17 de julho de 2011

Apenas não consigo o bastante

Por mais que já soubesse o que é isso faz tempo, hoje eu me apaixonei pela primeira vez.
Ouvir seu suspiro antes de cantar.
Ver seu olhos se fechando no refrãos.
O seu sorriso ao declararmos uma frase juntos.
Um olhar perdido para o céu.
Eu aqui e você aí.
Tão distantes.
Amar um música não é tão mais simples assim.

terça-feira, 12 de julho de 2011

7 dias

O inferno foi descrito.
O planeta foi criado.
Documentos produzidos.
Mas só alguns retirados.
Uma nova história sendo escrita.
Uma ausência bem lembrada.
Uma missa foi resada.
E uma saudade foi sentida.
Uma lágrima foi escorrida.
Até a lembrança foi esquecida.
Da tua voz, cheiro e sorriso.
O olhar da minha menina.
Em sete dias, tudo isso.
Eu sequer olhei pra trás.
Em sete dias, tudo isso.
Que não é nada demais.