Relacionamento é uma coisa misteriosa. Quando é novidade, nos agrada. Quando perdemos o sono, é paixão.
O amor só chega quando aprendemos a respeitar os limites, aceitar os defeitos e, é claro, sentir lá dentro o sentimento mais nobre que existe.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Meu mundinho
Fecho os olhos, o mundo gira.
Estou em um grande relevo de grama rala e bem verde, sem nenhuma falha em seu caminho. O monte todo sobe em uma única direção que me leva para uma árvore no centro. Tronco grosso e robusto, marrom cor de terra e galhos compridos que crescem louvando os céus.
Suas folhas são verdes como a grama, só que mais escuras. As frutas, pequenas esferas vermelhas, suspendem no ar, presas por pequenos galhos da mesma cor que o tronco. Tenho a leve sensação de que suas folhas tocam as nuvens mais altas do céu, enquanto me perco na vertigem causada ao olhar para cima.
A sombra forma uma circunferência exata lá no alto, onde a brisa bate lentamente no rosto daqueles que, como eu, usam o lugar como refúgio universal. Subo até a árvore, com os pés descalços e me sento na raiz que foge do fundo da terra, usando o tronco como encosto.
Acendo um cigarro e assisto, lá embaixo, duas crianças brincando. Um menino e uma menina, rolando na grama, se abraçando e sorrindo. Livres dos moldes pré estabelecidos, com a graça de milhares de deuses, com uma fina aura brilhante envolvendo os seus corpos. A cada sorriso, uma lembrança da infância já não mais existente.
O menino, sorridente, veste uma bermuda jeans e uma camiseta branca lisa, que já está um pouco suja de tanto rolar barranco abaixo. A garotinha, dona de um semblante puro de beleza, está com um traje camponês vermelho, detalhado com flores amarelas fracas. É tão lindo e inocente, aqueles dois, que mal percebo a lágrima cair de ambos os olhos.
Meu olhar percorre do chão ao céu, onde as nuvens brancas sinalizam o dia radiante que está por vir. O sol não está forte e faz o rio que passa ao meu lado esquerdo reluzir seus raios diante dos meus olhos. Vez ou outra, penso ter visto uma carpa roxa passar de lá para cá.
O silêncio acompanha o meu olhar e mal noto a chegada de um senhor vestido de uma longa bata branca. Sorridente e com feição amigável, o ancião senta ao meu lado e me pergunta se estou feliz. Obviamente, ele sabe que não espera nenhuma resposta articulada de minhas cordas vocais. Apenas olho para ele com as pálpebras molhadas e aceno um sim com a cabeça.
Borboletas coloridas passam enquanto observo aquele senhor olhar para frente, assim como fiz minutos atrás. O silêncio volta, mesmo eu ouvindo diversos sons que me trazem paz e felcidade, e eu encosto minha cabeça no robusto tronco, procurando uma posição que me agrade. Fácil de se conseguir.
Preocupações com o trabalho, o dever de estudar, nada disso me passa pela mente. Não sinto falta de nada, nem de ninguém. Gostaria que pai estivesse alí comigo, aproveitando meu último cigarro, meus últimos suspiros.
Lembro-me da vez em que ele me socou os lábios e abriu um corte interno. Sangrou bastante, chorei demais. Eu o perdoei, pois eu o amava. Nem me lembro bem o porque aquilo me passou pela cabeça, mas também me veio os bons momentos, onde os dois, alterados pelo álcool, davam risadas sobre as situações de uma festa não muito agradável. Para eles, porque para mim e para ele foi demais.
E minha mãe também poderia estar comigo. Dona de um carinho sem igual, que ama como ninguém. Que acordava de madrugada para cuidar de mim, quando adoecia. E eu tanto reprimi esse amor, e eu tanto me corria de remorso. Mas, ainda assim, eu estava bem.
Chorei mais algumas lágrimas sem sentido, não era por ele, nem por ela. Era por nada e por tudo. O vento aumentou e as folhas balançaram, me dando a chance de provar daquele fruto que era inalcansável. O prazer não é proibido, me falou aquele velho senhor do qual tinha me esquecido a presença. Acendi um novo cigarro.
As crianças lá embaixo sumiram ao adentrarem pela orla da floresta na minha direita. Começo a pensar e refletir. Não chego a lugar nenhum. Choro mais algumas e últimas lágrimas, até que a fonte seca.
O senhor de branco vira para mim e, com uma voz tão suave, me diz "você amou e viveu como ninguém jamais conseguiu". Assisti ao pôr do sol como se aquilo fosse uma tela pintada por um renomeado artista.
E, depois disso, desejei nunca mais abrir os olhos. E que o mundo continue girando, pois eu ainda quero e espero chegar lá.
Estou em um grande relevo de grama rala e bem verde, sem nenhuma falha em seu caminho. O monte todo sobe em uma única direção que me leva para uma árvore no centro. Tronco grosso e robusto, marrom cor de terra e galhos compridos que crescem louvando os céus.
Suas folhas são verdes como a grama, só que mais escuras. As frutas, pequenas esferas vermelhas, suspendem no ar, presas por pequenos galhos da mesma cor que o tronco. Tenho a leve sensação de que suas folhas tocam as nuvens mais altas do céu, enquanto me perco na vertigem causada ao olhar para cima.
A sombra forma uma circunferência exata lá no alto, onde a brisa bate lentamente no rosto daqueles que, como eu, usam o lugar como refúgio universal. Subo até a árvore, com os pés descalços e me sento na raiz que foge do fundo da terra, usando o tronco como encosto.
Acendo um cigarro e assisto, lá embaixo, duas crianças brincando. Um menino e uma menina, rolando na grama, se abraçando e sorrindo. Livres dos moldes pré estabelecidos, com a graça de milhares de deuses, com uma fina aura brilhante envolvendo os seus corpos. A cada sorriso, uma lembrança da infância já não mais existente.
O menino, sorridente, veste uma bermuda jeans e uma camiseta branca lisa, que já está um pouco suja de tanto rolar barranco abaixo. A garotinha, dona de um semblante puro de beleza, está com um traje camponês vermelho, detalhado com flores amarelas fracas. É tão lindo e inocente, aqueles dois, que mal percebo a lágrima cair de ambos os olhos.
Meu olhar percorre do chão ao céu, onde as nuvens brancas sinalizam o dia radiante que está por vir. O sol não está forte e faz o rio que passa ao meu lado esquerdo reluzir seus raios diante dos meus olhos. Vez ou outra, penso ter visto uma carpa roxa passar de lá para cá.
O silêncio acompanha o meu olhar e mal noto a chegada de um senhor vestido de uma longa bata branca. Sorridente e com feição amigável, o ancião senta ao meu lado e me pergunta se estou feliz. Obviamente, ele sabe que não espera nenhuma resposta articulada de minhas cordas vocais. Apenas olho para ele com as pálpebras molhadas e aceno um sim com a cabeça.
Borboletas coloridas passam enquanto observo aquele senhor olhar para frente, assim como fiz minutos atrás. O silêncio volta, mesmo eu ouvindo diversos sons que me trazem paz e felcidade, e eu encosto minha cabeça no robusto tronco, procurando uma posição que me agrade. Fácil de se conseguir.
Preocupações com o trabalho, o dever de estudar, nada disso me passa pela mente. Não sinto falta de nada, nem de ninguém. Gostaria que pai estivesse alí comigo, aproveitando meu último cigarro, meus últimos suspiros.
Lembro-me da vez em que ele me socou os lábios e abriu um corte interno. Sangrou bastante, chorei demais. Eu o perdoei, pois eu o amava. Nem me lembro bem o porque aquilo me passou pela cabeça, mas também me veio os bons momentos, onde os dois, alterados pelo álcool, davam risadas sobre as situações de uma festa não muito agradável. Para eles, porque para mim e para ele foi demais.
E minha mãe também poderia estar comigo. Dona de um carinho sem igual, que ama como ninguém. Que acordava de madrugada para cuidar de mim, quando adoecia. E eu tanto reprimi esse amor, e eu tanto me corria de remorso. Mas, ainda assim, eu estava bem.
Chorei mais algumas lágrimas sem sentido, não era por ele, nem por ela. Era por nada e por tudo. O vento aumentou e as folhas balançaram, me dando a chance de provar daquele fruto que era inalcansável. O prazer não é proibido, me falou aquele velho senhor do qual tinha me esquecido a presença. Acendi um novo cigarro.
As crianças lá embaixo sumiram ao adentrarem pela orla da floresta na minha direita. Começo a pensar e refletir. Não chego a lugar nenhum. Choro mais algumas e últimas lágrimas, até que a fonte seca.
O senhor de branco vira para mim e, com uma voz tão suave, me diz "você amou e viveu como ninguém jamais conseguiu". Assisti ao pôr do sol como se aquilo fosse uma tela pintada por um renomeado artista.
E, depois disso, desejei nunca mais abrir os olhos. E que o mundo continue girando, pois eu ainda quero e espero chegar lá.
Para se pensar
Quem diria que um garoto como aquele estaria sentado no sofá com as lágrimas rolando ao chão. Tão forte, determinado, chorava como uma criança sozinha no escuro com uma carta na mão, pensando em todos os momentos da vida, bons e ruins, em que aprendera que apenas os mais fortes sobreviveriam. Era a lei.
Lembrou de todos os seus amores, mulheres, meninas, feias e bonitas, todas elas a quem ele amou durante um tempo, talvez dois, sem nenhum pudor. Enxugando o seu rosto todo molhado, pegou o telefone e tentou se lembrar, uma por uma, os telefones.
"Desculpa, eu te matei" dizia entre soluços desesperados, pois se lembrava de ter prometido a segurança de um amor maior. "Desculpa, eu me matei e te levei junto, eu não queria. Eu não queria ter te amado."
Do outro lado da cidade, uma jovem grávida esperava seu filho com a carta em mãos. As mangas longas cobriam um passado de trapaças contra a vida, de desprezos e solidão. O caminho era longo e solitário, tortuoso e em labirinto.
Não se importava com sua vida, preferia ter morrido durante as suas noites traiçoeiras e imundas. Mas agora era diferente e ela tinha uma vida nova para cuidar. Então chorou o alívio da tensão.
A carta causou nos dois jovens sensações diferentes. O garoto, que amara tanto, sentia-se deprimido. A grávida, aliviada, revitalizada. Os dois se descuidaram, se despiram frente à vida e deixaram a bala entrar.
O garoto, que amara tanto, lia soro positivo em sua carta. Enquanto a jovem, ex-viciada, teve uma nova chance ao ver o negativo na sua.
Dia primeiro de dezembro é o Dia Mundial de Prevenção contra a Aids. Um mundo novo, um mundo melhor. Uma consciência de que a vida pode ser cada vez melhor, desfrutando dos prazeres com a cabeça no lugar.
Portanto, se proteja, use camisinha e viva a vida como ela deve ser vivida.
Lembrou de todos os seus amores, mulheres, meninas, feias e bonitas, todas elas a quem ele amou durante um tempo, talvez dois, sem nenhum pudor. Enxugando o seu rosto todo molhado, pegou o telefone e tentou se lembrar, uma por uma, os telefones.
"Desculpa, eu te matei" dizia entre soluços desesperados, pois se lembrava de ter prometido a segurança de um amor maior. "Desculpa, eu me matei e te levei junto, eu não queria. Eu não queria ter te amado."
Do outro lado da cidade, uma jovem grávida esperava seu filho com a carta em mãos. As mangas longas cobriam um passado de trapaças contra a vida, de desprezos e solidão. O caminho era longo e solitário, tortuoso e em labirinto.
Não se importava com sua vida, preferia ter morrido durante as suas noites traiçoeiras e imundas. Mas agora era diferente e ela tinha uma vida nova para cuidar. Então chorou o alívio da tensão.
A carta causou nos dois jovens sensações diferentes. O garoto, que amara tanto, sentia-se deprimido. A grávida, aliviada, revitalizada. Os dois se descuidaram, se despiram frente à vida e deixaram a bala entrar.
O garoto, que amara tanto, lia soro positivo em sua carta. Enquanto a jovem, ex-viciada, teve uma nova chance ao ver o negativo na sua.
Dia primeiro de dezembro é o Dia Mundial de Prevenção contra a Aids. Um mundo novo, um mundo melhor. Uma consciência de que a vida pode ser cada vez melhor, desfrutando dos prazeres com a cabeça no lugar.
Portanto, se proteja, use camisinha e viva a vida como ela deve ser vivida.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Pensamento do dia
Preguiçoso é aquele que vê o amor passar ao lado e nem sequer se move para o mesmo lhe notar.
Meu filme
Fui amaldiçoado sem saber.
Me escalaram para o mesmo enredo de diversos títulos diferentes. O elenco muda, meu personagem não. E é sempre a mesma história, e é sempre a mesma trama e o drama é sempre criado na minha cabeça.
Assisto à cena sem saber para onde ir, repetindo as mesmas falas, esquecendo das minhas promessas, sentindo o nó na garganta, a angústia no peito e a cabeça em fastfoward.
Dessa vez não foi diferente e estreei a minha mais nova novela. A mocinha continua linda, o protagonista nunca sou eu, ainda que pense que dessa vez o diretor tenha tido a caridade de me dar o papel que tanto mereço. Mais uma vez, mais uma ilusão.
E procuro o controle remoto ao desespero da trilha sonora mais escutada em toda a minha vida: os batimentos cardíacos, acelerados em minha têmpora. As vezes até o encontro a tempo de parar, mas a pilha acaba e na verdade eu sempre confundo o quadrado com os dois traços verticais do pause.
Tudo que eu queria era aprender a dar review em toda essa história e recomeçar a filmagem a partir no minuto em que eu começo a errar.
Me escalaram para o mesmo enredo de diversos títulos diferentes. O elenco muda, meu personagem não. E é sempre a mesma história, e é sempre a mesma trama e o drama é sempre criado na minha cabeça.
Assisto à cena sem saber para onde ir, repetindo as mesmas falas, esquecendo das minhas promessas, sentindo o nó na garganta, a angústia no peito e a cabeça em fastfoward.
Dessa vez não foi diferente e estreei a minha mais nova novela. A mocinha continua linda, o protagonista nunca sou eu, ainda que pense que dessa vez o diretor tenha tido a caridade de me dar o papel que tanto mereço. Mais uma vez, mais uma ilusão.
E procuro o controle remoto ao desespero da trilha sonora mais escutada em toda a minha vida: os batimentos cardíacos, acelerados em minha têmpora. As vezes até o encontro a tempo de parar, mas a pilha acaba e na verdade eu sempre confundo o quadrado com os dois traços verticais do pause.
Tudo que eu queria era aprender a dar review em toda essa história e recomeçar a filmagem a partir no minuto em que eu começo a errar.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
You're late...
Segundos, minutos, horas, dias, semanas.
E se aquela bela garota tivesse atravessado a rua um minuto antes do que ela o fez. O carro que cortara o outro da frente, pela esquerda, não a teria acertado. E ela, muito provavelmente, não estaria indo para o hospital.
Se aquele senhor deitado na cama da UTI tivesse negado aquele cigarro que o ofereceram, alguns meses atrás, talvez viveria mais alguns anos do que seu pulmão o está reservando.
E aquele jovem garoto poderia ter esperado o próximo ônibus, e acabar o seu café da manhã com menos pressa.
Segundos, minutos, horas, dias, semanas.
O beijo e a mão que seguraram a namorada por "só mais dez segundinhos" a fizeram ter pressa. E esta é sim a inimiga da perfeição.
Se aquele beijo não tivesse sido prolongado, as lágrimas que agora escorrem no rosto do rapaz não seriam de motivos tão trágicos.
E o amor que começava alí tão cedo poderia chegar ao fim antes da última página.
Segundos, minutos, horas, dias, semanas.
A gente sempre acaba na mesmice do arrependimento. Ah... se ele matasse. E se eu não tivesse enviado minutos depois? E se eu tivesse ido alguns segundos antes. Deveria eu ter pensado melhor? Não...
O passado existe para lembrar, não para ficar vivendo.
O presente é realidade. O futuro não existe.
Não adianta viver e lembrar do passado, pensando o que você faria para ajustar algo que aconteceu naquele futuro. Tudo que nós vivemos sempre será o presente.
Segundos, minutos, horas?
O que te faz pensar que você é culpado?
Você nunca está adiantado, você nunca chega atrasado.
Você só está onde você deveria estar.
E se aquela bela garota tivesse atravessado a rua um minuto antes do que ela o fez. O carro que cortara o outro da frente, pela esquerda, não a teria acertado. E ela, muito provavelmente, não estaria indo para o hospital.
Se aquele senhor deitado na cama da UTI tivesse negado aquele cigarro que o ofereceram, alguns meses atrás, talvez viveria mais alguns anos do que seu pulmão o está reservando.
E aquele jovem garoto poderia ter esperado o próximo ônibus, e acabar o seu café da manhã com menos pressa.
Segundos, minutos, horas, dias, semanas.
O beijo e a mão que seguraram a namorada por "só mais dez segundinhos" a fizeram ter pressa. E esta é sim a inimiga da perfeição.
Se aquele beijo não tivesse sido prolongado, as lágrimas que agora escorrem no rosto do rapaz não seriam de motivos tão trágicos.
E o amor que começava alí tão cedo poderia chegar ao fim antes da última página.
Segundos, minutos, horas, dias, semanas.
A gente sempre acaba na mesmice do arrependimento. Ah... se ele matasse. E se eu não tivesse enviado minutos depois? E se eu tivesse ido alguns segundos antes. Deveria eu ter pensado melhor? Não...
O passado existe para lembrar, não para ficar vivendo.
O presente é realidade. O futuro não existe.
Não adianta viver e lembrar do passado, pensando o que você faria para ajustar algo que aconteceu naquele futuro. Tudo que nós vivemos sempre será o presente.
Segundos, minutos, horas?
O que te faz pensar que você é culpado?
Você nunca está adiantado, você nunca chega atrasado.
Você só está onde você deveria estar.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
You tell me...
Será que é possível não se reconhecer ao se olhar no espelho, logo cedo?
Deixar a imagem refletida desaparecer na memória dos olhos, imergir nos mais profundos sonhos ocultos da mente humana, desaparecendo ao som de cada pássaro que passar.
Será que é possível aprender a amar? E ensinar, adestrar e fazer se acostumar?
Mostrar todos os vícios e virtudes que você possui e, mesmo assim, fazê-la sentir o ar comprimir, o tempo parar e as noites passarem devagar com a minha presença em sua cabeça.
Será que é possível acreditar no coração?
Enxergar a mentira que nós inventamos, o amor que desafloramos e todo o carinho que sentimos por puro acaso do órgão mais desastroso que temos.
É ou não é possível voar?
É preciso flutuar sobre cabeças que andam para se possuir asas, ou apenas podemos nos sentir leves o suficiente para nossos pés desgrudarem do chão com a facilidade que uma criança sorri ao ver seu pai lhe fazendo uma careta? O amor.
Será que é possível derramar lágrimas ao som do acorde?
Sentir na pele, no peito e na mente a melodia da dor, da angústia e felicidade. Sorrir quando a piada ainda não chegou ao fim, pelo simples fato de se lembrar de algum fato dá ocorrido.
Será que é possível sentir as pernas tremerem em poucas semanas?
Ouvir os batimentos cardíacos no ouvido, o suor escorrendo por dentro da pele, os poros se abrindo com o vento matutino.
É ou não é possível se entreter nas mais belas paisagens?
Seja ela criada ou pintada. Seja ela de pedra ou in natura.
Será que é possível mudar o futuro?
Não alterar o passado, tentar viver o presente e, ainda assim, transformar os dias que virão.
Não sei que o pensar, não sei mais se quero a eternidade.
Não se for para não tê-la durante todo esse espaço de tempo que eu a considero.
Deixar a imagem refletida desaparecer na memória dos olhos, imergir nos mais profundos sonhos ocultos da mente humana, desaparecendo ao som de cada pássaro que passar.
Será que é possível aprender a amar? E ensinar, adestrar e fazer se acostumar?
Mostrar todos os vícios e virtudes que você possui e, mesmo assim, fazê-la sentir o ar comprimir, o tempo parar e as noites passarem devagar com a minha presença em sua cabeça.
Será que é possível acreditar no coração?
Enxergar a mentira que nós inventamos, o amor que desafloramos e todo o carinho que sentimos por puro acaso do órgão mais desastroso que temos.
É ou não é possível voar?
É preciso flutuar sobre cabeças que andam para se possuir asas, ou apenas podemos nos sentir leves o suficiente para nossos pés desgrudarem do chão com a facilidade que uma criança sorri ao ver seu pai lhe fazendo uma careta? O amor.
Será que é possível derramar lágrimas ao som do acorde?
Sentir na pele, no peito e na mente a melodia da dor, da angústia e felicidade. Sorrir quando a piada ainda não chegou ao fim, pelo simples fato de se lembrar de algum fato dá ocorrido.
Será que é possível sentir as pernas tremerem em poucas semanas?
Ouvir os batimentos cardíacos no ouvido, o suor escorrendo por dentro da pele, os poros se abrindo com o vento matutino.
É ou não é possível se entreter nas mais belas paisagens?
Seja ela criada ou pintada. Seja ela de pedra ou in natura.
Será que é possível mudar o futuro?
Não alterar o passado, tentar viver o presente e, ainda assim, transformar os dias que virão.
Não sei que o pensar, não sei mais se quero a eternidade.
Não se for para não tê-la durante todo esse espaço de tempo que eu a considero.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
A história do vestido e o começo da bexiga
Há um tempo não encontro o que tanto eu já busquei. Já tentei, já procurei e até hoje não encontrei.
Varo noites, formo uma fila e coloco a porta giratória pra rodar. Vai um, dois e no terceiro eu já me canso, perde a graça e a sintonia. Faz do simples a perturbação. Do amor, o escárnio.
Na primeira, a ansiedade e excitação. A vontade, o medo e o nervosismo se misturam numa receita fantástica. Na segunda, o gosto se repete e começa a enjoar. A terceira causa o vômito. Não sou assim.
E já faz algum tempo que deixei o meu vestido mais perfeito no fundo do meu baú. O prendi em grandes pedras e atirei no fundo do mar. As fotos dele já não são mais nem lembranças, afundadas junto com as memórias que deixei naquela arca.
Eu armo uma cena, faço o palco expandir e a luz clarear. E, com muito orgulho, aceno um simples adeus para aquele pedaço de roupa que me fez tantos sonos perder, tantas noites pensar e tantos suspiros soltar.
Acendo um cigarro no mesmo cais em que assisto à liberdade do coração. Vejo todo o sofrimento em vão se afundando com o vestido que mais me fez amar um dia. E em um pequeno espaço de tempo em que vou observar o sol, vejo uma bexiga.
De cor branca, rosa, verde clara e outros tons que iam se misturando na luz do sol. A ponta em que se entra o ar estava aberta e ela estava se esvaziando com a lentidão de uma pena, caindo e caindo, quase flutuando até chegar aos meus pés.
Peguei-a com cuidado e examinei atentamente, guardando no bolso da camisa e partindo para casa.
Hoje é a bexiga o meu mais novo amor. Ela me faz perder o ar, meus cabelos se arrepiam com o seu contato. Mas ainda não é hora de explicar a minha história inteira com a bexiga, faz pouco tempo, faz poucos dias, são poucos momentos. Mas eu encontrei nela uma chance que havia se perdido em minha realidade, uma ponta de prazer em apenas sentir por dentro e não na pele.
Eu só tenho que manter a calma, pois eu não posso encher muito a bexiga... se não ela pode estourar. E eu não gostaria de ter que jogá-la no fundo do oceano, após um futuro sofrimento.
Varo noites, formo uma fila e coloco a porta giratória pra rodar. Vai um, dois e no terceiro eu já me canso, perde a graça e a sintonia. Faz do simples a perturbação. Do amor, o escárnio.
Na primeira, a ansiedade e excitação. A vontade, o medo e o nervosismo se misturam numa receita fantástica. Na segunda, o gosto se repete e começa a enjoar. A terceira causa o vômito. Não sou assim.
E já faz algum tempo que deixei o meu vestido mais perfeito no fundo do meu baú. O prendi em grandes pedras e atirei no fundo do mar. As fotos dele já não são mais nem lembranças, afundadas junto com as memórias que deixei naquela arca.
Eu armo uma cena, faço o palco expandir e a luz clarear. E, com muito orgulho, aceno um simples adeus para aquele pedaço de roupa que me fez tantos sonos perder, tantas noites pensar e tantos suspiros soltar.
Acendo um cigarro no mesmo cais em que assisto à liberdade do coração. Vejo todo o sofrimento em vão se afundando com o vestido que mais me fez amar um dia. E em um pequeno espaço de tempo em que vou observar o sol, vejo uma bexiga.
De cor branca, rosa, verde clara e outros tons que iam se misturando na luz do sol. A ponta em que se entra o ar estava aberta e ela estava se esvaziando com a lentidão de uma pena, caindo e caindo, quase flutuando até chegar aos meus pés.
Peguei-a com cuidado e examinei atentamente, guardando no bolso da camisa e partindo para casa.
Hoje é a bexiga o meu mais novo amor. Ela me faz perder o ar, meus cabelos se arrepiam com o seu contato. Mas ainda não é hora de explicar a minha história inteira com a bexiga, faz pouco tempo, faz poucos dias, são poucos momentos. Mas eu encontrei nela uma chance que havia se perdido em minha realidade, uma ponta de prazer em apenas sentir por dentro e não na pele.
Eu só tenho que manter a calma, pois eu não posso encher muito a bexiga... se não ela pode estourar. E eu não gostaria de ter que jogá-la no fundo do oceano, após um futuro sofrimento.
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
O que é ser redator?
"Ôôôô, Jeremias! Você pode enviar esse job com um briefing detalhado para o cara que faz textos aqui na agência?"
É engraçado a relação do redator com o resto da agência e do redator consigo mesmo.
Para a agência, ele é o cara que escreve textos. Para ele, o cara que enxuga e explica enormes conceitos.
Eis que sempre surge aquele que quer menosprezar o cargo e solta uma das frases memoráveis sobre como qualquer pessoa pode ser redatora, que não há dificuldade nenhuma em criar alguns textos e que basta ser criativo para ser redator. Ou seja, qualquer publicitário tem que ser criativo, qualquer publicitário pode ser redator.
E de tanto ouvir piadinhas, até pensei: "Realmente... minha profissão não tem futuro. Redatores são apenas pessoas que escrevem bem, mas na publicidade nem sempre se precisa de uma escrita correta e, além disso, existem revisores... e agora? Se eu escrevo bem, porque não viro jornalista?"
Bom, aqui vai minha resposta para todos aqueles que acham a redação apenas uma coisinha fácil de se fazer:
1º argumento
Um bom planejador gosta de criar estratégias, têm uma visão ampla do mercado e saber traçar metas para o cliente (porque não vai jogar o jogo do Mc Donald's em flash, então? ¬¬). Um bom atendimento é gostosa, digo, simpática e atraente, sabendo sempre ouvir o cliente e concordar com ele somente quando é necessário. Um bom diretor de arte tem uma visão a parte para a estética do anúncio, entende muito bem de iluminação e cores e ainda assim se diz publicitário e não curador do Museu do Ipiranga. Um bom mídia..... bom, deixa pra lá.
O que eu quis dizer? Que todas as pessoas que trabalham nas áreas supracitadas são apaixonadas pelo que fazem, bem como nós, redatores. Nós somos apaixonados pela escrita e, segundo muitos sábios, não existe nada melhor do que se trabalhar com o que ama. E eu tenho certeza absoluta que existem pouquíssimos redatores que não se encontram no cargo, querendo migrar de área. Diferente de muitos outros por aí...
2º argumento
Quer se divertir qualquer dia da semana e a qualquer hora? Chame sempre um redator para o programinha casual. Adoramos piadinhas, seja do Ary Toledo ou do Rafinha Bastos, e sempre levamos à mesa citações de grandes poetas, como Pelé.
Além de apreciarmos uma cerveja tão bem como ninguém, temos um papo mais inteligente e variado, pois é o nosso trabalho: ser versátil. Sabemos assuntos sobre economia, sobre literatura, política, futebol e até arte moderna. Só não pergunte sobre pós-modernismo, pois ainda estamos tentando descobrir realmente o que é.
E se você estiver muito afim de ouvir horas e horas sobre o NOSSO trabalho, fale de qualquer anúncio publicitário... principalmente os all type's.
3º argumento
Se você acha que escrever é fácil, quero ver você ser bom o suficiente para não deixar a sua essência em seus textos. E é aqui, no terceiro argumento, que o assunto fica sério e eu deixo as piadas de lado.
Todos nós podemos escrever e o texto ficar bem bacana, mas você conseguiria mudar o seu estilo na hora de criar textos para o público farmacêutico e não teen? Ou ainda, tentar enxugar milhares de informações numa única newsletter. Sorte tenho eu, de escrever para o universo digital, tenho a assistência do Flash.
Agora imagine um anúncio em uma página simples de revista. Como falar que o meu produto é fácil de usar, tem mais velocidade do que a concorrência, é mais barato, é mais moderno, é mais bonito e é mais seguro em apenas um pequeno bloco de texto... e ainda deixá-lo bonito.
A diferença do redator é que ele SABE que é publicitário. Ele sabe deixar a sua essência para o seu blog particular, ele sabe deixar o seu lado emocional para as peças que nunca sairão na mídia.
E é por isso que eu me orgulho de ser o cara que faz textos. Afinal, não são todos que conseguem transmitir todos os seus pensamentos, amores, ódios, angústias, alegrias, satisfações e insatisfações (em suma: tudo) através das palavras.
E inveja tem vocês, que gostariam de saber se dar tão bem com elas...
É engraçado a relação do redator com o resto da agência e do redator consigo mesmo.
Para a agência, ele é o cara que escreve textos. Para ele, o cara que enxuga e explica enormes conceitos.
Eis que sempre surge aquele que quer menosprezar o cargo e solta uma das frases memoráveis sobre como qualquer pessoa pode ser redatora, que não há dificuldade nenhuma em criar alguns textos e que basta ser criativo para ser redator. Ou seja, qualquer publicitário tem que ser criativo, qualquer publicitário pode ser redator.
E de tanto ouvir piadinhas, até pensei: "Realmente... minha profissão não tem futuro. Redatores são apenas pessoas que escrevem bem, mas na publicidade nem sempre se precisa de uma escrita correta e, além disso, existem revisores... e agora? Se eu escrevo bem, porque não viro jornalista?"
Bom, aqui vai minha resposta para todos aqueles que acham a redação apenas uma coisinha fácil de se fazer:
1º argumento
Um bom planejador gosta de criar estratégias, têm uma visão ampla do mercado e saber traçar metas para o cliente (porque não vai jogar o jogo do Mc Donald's em flash, então? ¬¬). Um bom atendimento é gostosa, digo, simpática e atraente, sabendo sempre ouvir o cliente e concordar com ele somente quando é necessário. Um bom diretor de arte tem uma visão a parte para a estética do anúncio, entende muito bem de iluminação e cores e ainda assim se diz publicitário e não curador do Museu do Ipiranga. Um bom mídia..... bom, deixa pra lá.
O que eu quis dizer? Que todas as pessoas que trabalham nas áreas supracitadas são apaixonadas pelo que fazem, bem como nós, redatores. Nós somos apaixonados pela escrita e, segundo muitos sábios, não existe nada melhor do que se trabalhar com o que ama. E eu tenho certeza absoluta que existem pouquíssimos redatores que não se encontram no cargo, querendo migrar de área. Diferente de muitos outros por aí...
2º argumento
Quer se divertir qualquer dia da semana e a qualquer hora? Chame sempre um redator para o programinha casual. Adoramos piadinhas, seja do Ary Toledo ou do Rafinha Bastos, e sempre levamos à mesa citações de grandes poetas, como Pelé.
Além de apreciarmos uma cerveja tão bem como ninguém, temos um papo mais inteligente e variado, pois é o nosso trabalho: ser versátil. Sabemos assuntos sobre economia, sobre literatura, política, futebol e até arte moderna. Só não pergunte sobre pós-modernismo, pois ainda estamos tentando descobrir realmente o que é.
E se você estiver muito afim de ouvir horas e horas sobre o NOSSO trabalho, fale de qualquer anúncio publicitário... principalmente os all type's.
3º argumento
Se você acha que escrever é fácil, quero ver você ser bom o suficiente para não deixar a sua essência em seus textos. E é aqui, no terceiro argumento, que o assunto fica sério e eu deixo as piadas de lado.
Todos nós podemos escrever e o texto ficar bem bacana, mas você conseguiria mudar o seu estilo na hora de criar textos para o público farmacêutico e não teen? Ou ainda, tentar enxugar milhares de informações numa única newsletter. Sorte tenho eu, de escrever para o universo digital, tenho a assistência do Flash.
Agora imagine um anúncio em uma página simples de revista. Como falar que o meu produto é fácil de usar, tem mais velocidade do que a concorrência, é mais barato, é mais moderno, é mais bonito e é mais seguro em apenas um pequeno bloco de texto... e ainda deixá-lo bonito.
A diferença do redator é que ele SABE que é publicitário. Ele sabe deixar a sua essência para o seu blog particular, ele sabe deixar o seu lado emocional para as peças que nunca sairão na mídia.
E é por isso que eu me orgulho de ser o cara que faz textos. Afinal, não são todos que conseguem transmitir todos os seus pensamentos, amores, ódios, angústias, alegrias, satisfações e insatisfações (em suma: tudo) através das palavras.
E inveja tem vocês, que gostariam de saber se dar tão bem com elas...
Assinar:
Postagens (Atom)
