segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

São cores...

Não faça com que as cores da vida caiam na rotina do preto e branco.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

São dois, os três dos quintos.

Parede de vidro. Um pouco de pó.
Blindado de prata, de ouro e de bronze.
Dura feito pedra quente no calor.
É ver, é crer e ter. É tudo, menos sabor.

Escada, almofada e um rodo molhado.
Ladrilho e cimento. Um balde com água.
A chuva caindo, lavando e regando.
As flores sorrindo, molhadas, cantando.

A bola de neve, o favo de mel.
Abelha, raíz e uma folha do céu.
Da toca, raposa confude com urso.
O chão todo limpo. Um teto imundo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

É personagem

Essa imagem no espelho não é minha. Reflexo de ilusão.
Deito o rosto na pia e dou um banho na alma, acordo os olhos solenes.
Me olho novamente. Não me reconheço novamente.
Dou uma volta pela casa, sento no sofá e faço um café.
Rolo no tapete, passo a roupa e lavo a louça.
Volto ao banheiro e ainda não me reconheço.
Tomo um banho completo, faço uns telefonemas e escrevo algumas passagens.
Fumo um cigarro, depois outro e começo a pensar o que me acarretou isso.
Dobro o colchão, desligo a tv e queimo duas páginas inteiras.
Jogo meu livro preferido janela abaixo, subo ao décimo andar na corda bamba.
Faço a barba, raspo o cabelo, passo um perfume e me olho no espelho.
Sem caráter, sem histórias, sem rumo.
É personagem e tão somente será, enquanto viver para explicar e reconhecer as metas da vida alheia.

Sobre aquela festa de ontem

Foram 1 ano e quase 1 mês de agência F.biz. Foram 10 sexta-feiras regadas a muito refri e bolinhas de queijo e outras três regadas com pizza, baguete e Campari.
Foi uma churrascada em um sítio com direito a troca de presentes no fim do ano passado e ontem foi dia de festa. Mais de 100 pessoas, umas chegando cedo, outras chegando tarde e os mais introvertidos ainda nem apareceram. Para a grande maioria, uma festa de fim de ano, mas para outros ainda era a festa de despedida ou de boas vindas. Cada qual com sua proposta.
Alguns casais marcaram presenças, outros casais tentaram ser formados, mas o mais importante foi a união. Administrativos, planejadores e criativos. Gerentes, assistentes e estagiários. A panela dissolveu e todo mundo se falou bastante.
Os mais descolados beberam caipirinha, os mais simplistas, cerveja. E teve gente até que foi de risotinho e coca cola. Ouvi rumores de quatro jovens peregrinos que andaram quilometros para se chegar a tão falada festa de fim de ano, mas é claro que repousaram de taverna em taverna, bebericando aqui e ali, para aguentar a caminhada.
Teve gente que bebeu demais, teve gente que dançou demais e teve gente que fez de tudo um pouco, inclusive uma demonstração de como não ter vergonha dos colegas de trabalho e dançar num palco improvisado.
E para quem achou que a festa acabaria 2 horas da manhã, alí na Gomes de Carvalho, perdeu (na verdade, muito provavelmente esqueceu) o pós festa. Tudo bem, eu também.
Teve muita coisa e faltou pouca. Só não teve briga, o que vai mostrando, cada dia que passa, que trabalhar aqui até que é saudável.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Anarquia geral

A sociedade ensina à você o que vestir, como andar, como se portar diante dela, o que falar, o que é certo, o que é errado e, acima de tudo, o que é viver.
A vida, por outro lado, nos ensina que tudo que a sociedade faz é mentir.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

É, não é, não sei.

É dia e noite. É calor e frio. É feio e bonito. É alto e baixo.
É assustador e inofensivo. É angustiante e calmo. É vida e morte.
É feliz e triste. É anseio e decepção. É claro e escuro. É transparente e nebuloso.
É quente e gelado. É chuva e sol. É ele e eu. É carinho e raiva.
É um e dois. É medo e calma. É nervo e calma. É brilho e opacidade.
É seco e molhado. É preto e branco. É cinza e colorido. É velho e novo.
É moderno e retrô. É novidade e rotineiro. É homem e mulher. É e não é.
É hoje e amanhã. E ontem e depois. É beleza e feiura. É perfume e fedor.
É pai e mãe. É avô e avó. É primeiro e último. É saber e desconhecer.
É água e fogo. É dor e alívio. É casamento e divórcio. É sorriso e lágrima.
É descalço e com meia. É persistência e desistência. É oi e adeus.
Pode ser o que for, mas nunca vai deixar de ser só amor.

sábado, 5 de dezembro de 2009

É isso.

Você acordou no meio daquela noite de dezembro assustada e segurou meu braço com força. Sentou na cama com uma rapidez surpreendente e chorou, me acordando num ímpeto. Lentamente, me sentei e enconstei as costas na cabeçeira da cama, te acolhendo em meus braços dormentes.
Você chorou e me explicou o pesadelo que foi o fato de estar pensando em me perder. O mundo fez-se escuro e a luz das estrelas se apagaram. Você se perdeu ao me perder, e chorou a morte do amor.
Eu disse "calma, estou aqui" e você começou a secar os olhos inchados. Beijei sua testa com carinho e, com os dedos em seu queixo, subi seu rosto à altura do meu, e sorri como nunca havia antes sorrido. E meus olhos brilharam a luz perdida em teus pesadelos ao ver você retribuindo aquele gesto.
Minutos depois, você já respirava tranquilamente e te coloquei para dormir novamente. Acariciei seus cabelos, os retirando do seu rosto para realçar ainda mais aquela beleza angelical que transparecia durante o seu sono.
Me levantei com cuidado, para não te acordar, e abri a janela do quarto, olhando o céu estrelado. Alí, acendi um cigarro e pensei. Desci as escadas e trouxe para o andar superior uma grande escada de alumínio. Peguei um papel e uma caneta e deixei do lado da sua cama.
"Meu amor, não tenha medo. Fui buscar a tua estrela."
E assim, subi as escadas.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Pensamento do dia

Relacionamento é uma coisa misteriosa. Quando é novidade, nos agrada. Quando perdemos o sono, é paixão.
O amor só chega quando aprendemos a respeitar os limites, aceitar os defeitos e, é claro, sentir lá dentro o sentimento mais nobre que existe.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Meu mundinho

Fecho os olhos, o mundo gira.
Estou em um grande relevo de grama rala e bem verde, sem nenhuma falha em seu caminho. O monte todo sobe em uma única direção que me leva para uma árvore no centro. Tronco grosso e robusto, marrom cor de terra e galhos compridos que crescem louvando os céus.
Suas folhas são verdes como a grama, só que mais escuras. As frutas, pequenas esferas vermelhas, suspendem no ar, presas por pequenos galhos da mesma cor que o tronco. Tenho a leve sensação de que suas folhas tocam as nuvens mais altas do céu, enquanto me perco na vertigem causada ao olhar para cima.
A sombra forma uma circunferência exata lá no alto, onde a brisa bate lentamente no rosto daqueles que, como eu, usam o lugar como refúgio universal. Subo até a árvore, com os pés descalços e me sento na raiz que foge do fundo da terra, usando o tronco como encosto.
Acendo um cigarro e assisto, lá embaixo, duas crianças brincando. Um menino e uma menina, rolando na grama, se abraçando e sorrindo. Livres dos moldes pré estabelecidos, com a graça de milhares de deuses, com uma fina aura brilhante envolvendo os seus corpos. A cada sorriso, uma lembrança da infância já não mais existente.
O menino, sorridente, veste uma bermuda jeans e uma camiseta branca lisa, que já está um pouco suja de tanto rolar barranco abaixo. A garotinha, dona de um semblante puro de beleza, está com um traje camponês vermelho, detalhado com flores amarelas fracas. É tão lindo e inocente, aqueles dois, que mal percebo a lágrima cair de ambos os olhos.
Meu olhar percorre do chão ao céu, onde as nuvens brancas sinalizam o dia radiante que está por vir. O sol não está forte e faz o rio que passa ao meu lado esquerdo reluzir seus raios diante dos meus olhos. Vez ou outra, penso ter visto uma carpa roxa passar de lá para cá.
O silêncio acompanha o meu olhar e mal noto a chegada de um senhor vestido de uma longa bata branca. Sorridente e com feição amigável, o ancião senta ao meu lado e me pergunta se estou feliz. Obviamente, ele sabe que não espera nenhuma resposta articulada de minhas cordas vocais. Apenas olho para ele com as pálpebras molhadas e aceno um sim com a cabeça.
Borboletas coloridas passam enquanto observo aquele senhor olhar para frente, assim como fiz minutos atrás. O silêncio volta, mesmo eu ouvindo diversos sons que me trazem paz e felcidade, e eu encosto minha cabeça no robusto tronco, procurando uma posição que me agrade. Fácil de se conseguir.
Preocupações com o trabalho, o dever de estudar, nada disso me passa pela mente. Não sinto falta de nada, nem de ninguém. Gostaria que pai estivesse alí comigo, aproveitando meu último cigarro, meus últimos suspiros.
Lembro-me da vez em que ele me socou os lábios e abriu um corte interno. Sangrou bastante, chorei demais. Eu o perdoei, pois eu o amava. Nem me lembro bem o porque aquilo me passou pela cabeça, mas também me veio os bons momentos, onde os dois, alterados pelo álcool, davam risadas sobre as situações de uma festa não muito agradável. Para eles, porque para mim e para ele foi demais.
E minha mãe também poderia estar comigo. Dona de um carinho sem igual, que ama como ninguém. Que acordava de madrugada para cuidar de mim, quando adoecia. E eu tanto reprimi esse amor, e eu tanto me corria de remorso. Mas, ainda assim, eu estava bem.
Chorei mais algumas lágrimas sem sentido, não era por ele, nem por ela. Era por nada e por tudo. O vento aumentou e as folhas balançaram, me dando a chance de provar daquele fruto que era inalcansável. O prazer não é proibido, me falou aquele velho senhor do qual tinha me esquecido a presença. Acendi um novo cigarro.
As crianças lá embaixo sumiram ao adentrarem pela orla da floresta na minha direita. Começo a pensar e refletir. Não chego a lugar nenhum. Choro mais algumas e últimas lágrimas, até que a fonte seca.
O senhor de branco vira para mim e, com uma voz tão suave, me diz "você amou e viveu como ninguém jamais conseguiu". Assisti ao pôr do sol como se aquilo fosse uma tela pintada por um renomeado artista.
E, depois disso, desejei nunca mais abrir os olhos. E que o mundo continue girando, pois eu ainda quero e espero chegar lá.

Para se pensar

Quem diria que um garoto como aquele estaria sentado no sofá com as lágrimas rolando ao chão. Tão forte, determinado, chorava como uma criança sozinha no escuro com uma carta na mão, pensando em todos os momentos da vida, bons e ruins, em que aprendera que apenas os mais fortes sobreviveriam. Era a lei.
Lembrou de todos os seus amores, mulheres, meninas, feias e bonitas, todas elas a quem ele amou durante um tempo, talvez dois, sem nenhum pudor. Enxugando o seu rosto todo molhado, pegou o telefone e tentou se lembrar, uma por uma, os telefones.
"Desculpa, eu te matei" dizia entre soluços desesperados, pois se lembrava de ter prometido a segurança de um amor maior. "Desculpa, eu me matei e te levei junto, eu não queria. Eu não queria ter te amado."
Do outro lado da cidade, uma jovem grávida esperava seu filho com a carta em mãos. As mangas longas cobriam um passado de trapaças contra a vida, de desprezos e solidão. O caminho era longo e solitário, tortuoso e em labirinto.
Não se importava com sua vida, preferia ter morrido durante as suas noites traiçoeiras e imundas. Mas agora era diferente e ela tinha uma vida nova para cuidar. Então chorou o alívio da tensão.
A carta causou nos dois jovens sensações diferentes. O garoto, que amara tanto, sentia-se deprimido. A grávida, aliviada, revitalizada. Os dois se descuidaram, se despiram frente à vida e deixaram a bala entrar.
O garoto, que amara tanto, lia soro positivo em sua carta. Enquanto a jovem, ex-viciada, teve uma nova chance ao ver o negativo na sua.
Dia primeiro de dezembro é o Dia Mundial de Prevenção contra a Aids. Um mundo novo, um mundo melhor. Uma consciência de que a vida pode ser cada vez melhor, desfrutando dos prazeres com a cabeça no lugar.
Portanto, se proteja, use camisinha e viva a vida como ela deve ser vivida.